Script para configurar redes wireless no Debian ou Ubuntu
Postador por Tiago Damasceno
O Debian Lenny trouxe um suporte a placas wireless sensivelmente melhorado, oferecendo inclusive os firmwares proprietários para placas wireless Intel e Ralink (muito diferente do que tínhamos no Etch, onde quase tudo precisava ser feito manualmente). Eles não vêm instalados por padrão, mas podem ser instalados rapidamente através dos pacotes "firmware-iwlwifi", "firmware-ipw2×00" e "firmware-ralink". Veja só
$ apt-cache search firmware-iwlwifi
firmware-iwlwifi - Binary firmware for Intel Wireless 3945 and 4965
$ apt-cache search firmware-ipw2×00
firmware-ipw2×00 - Binary firmware for Intel Pro Wireless 2100, 2200 and 2915
$ apt-cache search firmware-ralink
firmware-ralink - Binary firmware for Ralink RT2561, RT2571, RT2661 and RT2671 wireless cards
Como o sistema passou a detectar a placa sozinho na grande maioria dos casos, fica faltando apenas a configuração da rede, que pode ser automatizada usando este script.
Ele gera o arquivo de configuração do wpa_supplicant e em seguida configura o arquivo /etc/network/interfaces, solucionando alguns problemas de configuração comuns pelo caminho. Essa mesma configuração também funciona no Ubuntu, onde o script pode ser usado para configurar a rede wireless manualmente, desativando o NetworkManager, a mesma configuração que comentei no post sobre ele:
A configuração manual é feita em dois passos. O primeiro é gerar o arquivo de configuração do wpa_supplicant, usando o wpa_passphrase, especificando o nome da rede (ex: rede) e a passphrase de acesso (ex: 123456), como em:
# wpa_passphrase rede 123456 > /etc/wpa_supplicant.conf
Assim como em outros comandos que escrevem diretamente em arquivos, ele precisa ser executado diretamente como root, não com o sudo.
Com o arquivo de configuração gerado, falta apenas a configuração no arquivo "/etc/network/interfaces". A configuração é a mesma que a usamos para placas cabeadas, com a adição de duas novas linhas, que ativam o uso do wpa_supplicant e indicam o arquivo de configuração que será usado, como em:
auto lo wlan0
iface lo inet loopback
iface wlan0 inet static
address 192.168.1.23
netmask 255.255.255.0
network 192.168.1.0
broadcast 192.168.1.255
gateway 192.168.1.1
wpa-driver wext
wpa-conf /etc/wpa_supplicant.conf
De volta ao post de hoje, você pode baixar o script no:
http://www.gdhpress.com.br/blog/arquivos/wireless-config.zip
Como de praxe, basta descompactar o arquivo e executar o script como root.
Aqui vai o "código fonte" do script para que você possa estudá-lo:
#!/bin/sh
# Script para configurar placas wireless manualmente no Ubuntu e Debian
# Por Carlos E. Morimoto
# http://www.gdhpress.com.br
# http://www.guiadohardware.net
# Pode ser alterado e redistribuído livremente dentro dos termos da GPL
clear
echo 'Este script permite configurar placas wireless no Ubuntu
e no Debian. Para usá-lo, é necessário que sua placa wireless
tenha sido reconhecida pelo sistema e seja listada na saída do
comando "cat /proc/net/wireless".
Ao usá-lo, será gerado o /etc/wpa_supplicant.conf e a
configuração da rede será salva no arquivo /etc/network/interfaces
(subscrevendo a configuração anterior). Caso o NetworkManager
esteja ativo, ele será desativado pela modificação no arquivo.
(Enter para continuar)'
read pausa
sleep 1
# Verifica se o script está sendo executado pelo root.
if [ "`id -u`" != "0" ]; then
echo 'Este script precisa ser executado como root. Digite "su -"
para se logar como root e execute o script novamente.
Se você está usando o Ubuntu, defina a senha de root usando o
comando "sudo passwd" e em seguida logue-se usando o "su -".
Para facilitar, você pode copiar este script para a pasta
/usr/local/bin/, de forma a não precisar mais executá-lo usando
o caminho completo ou o ./
'
read pausa
exit 0
fi
# Detecta a placa wireless
placa=`cat /proc/net/wireless | tail -n 1 | cut -f 1 -d ":"`
if [ -z "$placa" ]; then
echo "Não foi possível detectar a placa wireless."
echo "Certifique-se de que ela esteja sendo detectada pelo sistema."
exit 2
else
echo "
echo "Detectada a placa $placa"
echo "
fi
if [ -e "/sbin/wpa_supplicant" ]; then
# Verifica se existe uma placa cabeada já configurada
rede=`ifconfig | grep eth0`
if [ -n "$rede" ]; then
echo "Aparentemente você tem uma placa cabeada já configurada."
echo "Gostaria de desativá-la? (s/n)"
read resposta
if [ "$resposta" = "s" ]; then
echo 'ifconfig eth0 down'
echo "
ifconfig eth0 down
fi
fi
sleep 1
# Pergunta as configurações da rede wireless:
echo "Digite o nome (ESSID) da rede wireless. ex: casa"
read SSID
echo ''
echo "Digite a chave de encriptação da rede. ex: 123456"
read KEY
# Gera a configuração do wpa_supplicant
wpa_passphrase $SSID $KEY > /etc/wpa_supplicant.conf
echo ''
echo "Arquivo /etc/wpa_supplicant.conf gerado:"
echo ''
cat /etc/wpa_supplicant.conf
echo ''
# Faz backup do arquivo /etc/network/interfaces
DATA=`date +%Y-%m-%d-%H.%M`
cp -a /etc/network/interfaces /etc/network/interfaces.$DATA
echo "Backup gerado: /etc/network/interfaces.$DATA"
sleep 1
echo ''
echo "Configurar a rede via dhcp? (s/n)"
read resposta
if [ "$resposta" = "s" ]; then
# Escreve o novo arquivo:
echo "auto lo $placa" > /etc/network/interfaces
echo "iface lo inet loopback" >> /etc/network/interfaces
echo "iface $placa inet dhcp" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-driver wext" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-conf /etc/wpa_supplicant.conf" >> /etc/network/interfaces
echo " >> /etc/network/interfaces
echo 'Novo arquivo /etc/network/interfaces gerado:'
cat /etc/network/interfaces
else
echo "Digite o endereço IP. Ex: 192.168.1.65"
read IP
echo ''
echo "Digite a máscara. Ex: 255.255.255.0"
read MASK
echo ''
echo "Digite o endereço da rede. Ex: 192.168.1.0"
read NETW
echo ''
echo "Digite o endereço de broadcast Ex: 192.168.1.255"
read BROAD
echo ''
echo "Digite o endereço do gateway. Ex: 192.168.1.1"
read GW
echo ''
echo "Digite o endereço do DNS primário. Ex: 208.67.222.222"
read DNS1
echo ''
echo "Digite o endereço do DNS secundário Ex: 208.67.220.220"
read DNS2
echo ''
# Escreve o novo arquivo:
echo "auto lo $placa" > /etc/network/interfaces
echo "iface lo inet loopback" >> /etc/network/interfaces
echo "iface $placa inet static" >> /etc/network/interfaces
echo "address $IP" >> /etc/network/interfaces
echo "netmask $MASK" >> /etc/network/interfaces
echo "network $NETW" >> /etc/network/interfaces
echo "broadcast $BROAD" >> /etc/network/interfaces
echo "gateway $GW" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-driver wext" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-conf /etc/wpa_supplicant.conf" >> /etc/network/interfaces
echo '' >> /etc/network/interfaces
echo 'Novo arquivo /etc/network/interfaces gerado:'
cat /etc/network/interfaces
echo "nameserver $DNS1" > /etc/resolv.conf
echo "nameserver $DNS2" >> /etc/resolv.conf
fi
sleep 1
echo ''
# Fecha o wpa_supplicant caso já ativo
killall wpa_supplicant
echo "Recarregando a configuração da rede:"
/etc/init.d/networking restart
sleep 3
echo 'Configuração completa. Se você está usando o Ubuntu, pode ser
necessário reiniciar para que o NetworkManager dê lugar à
configuração manual.
Para restaurar a configuração anterior (e restaurar o uso do
NetworkManager), restaure a configuração anterior da rede,
restaurando o arquivo de backup, como em:'
echo "rm /etc/network/interfaces"
echo "mv /etc/network/interfaces.$DATA /etc/network/interfaces"
echo ''
# Fim do laço iniciado no começo do script, que aborta caso o
# wpa_supplicant não esteja instalado.
else
echo "O arquivo /sbin/wpa_supplicant não está disponível."
echo "Cheque a instalação do wpasupplicant."
fi
Fonte: Carlos Morimoto
Debian 5.0: primeiras impressões e instalação via rede
Postador por Tiago Damasceno
First look at Debian GNU/Linux 5.0 live CD and network installation
Autor original: Chris Smart
Publicado originalmente no: distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft
O Debian possui um enorme repositório de binários, com quatro ramificações: stable (estável), testing (teste), unstable (instável) e experimental. Os pacotes entram primeiro no experimental ou no unstable e vão galgando posições até mostrarem-se devidamente estáveis e livres de bugs. Só pacotes bem testados são incluídos no testing, que com o tempo se torna a nova versão estável. O Debian também inclui suporte oficial a mais arquiteturas dos que qualquer outra distribuição Linux, e a versão mais recente adicionou o suporte à ARM EABI (armel), elevando o número para onze.
O Debian é ótimo para servidores, que têm foco na estabilidade e na segurança, e não em recursos e pacotes recentes. Isso pode ser muito bom para servidores, mas e em um sistema operacional para desktops? Nesse ponto, o problema do Debian stable é que ele se move muito devagar, especialmente quando comparado a outras distribuições. Os dois anos que separam cada versão são muito tempo no mundo do código aberto, especialmente quando se compra hardware novo que não é suportado pela versão estável! Isso levou ao surgimento da versão 'and a half' ('e meio') que fez sua estréia no Debian estável anterior, o Etch. A versão 'and a half' oferece suporte a hardware mais recente usando um kernel, um X.Org e um instalador mais novos, mantendo todos os outros pacotes em suas versões estáveis atuais. Esta nova versão inclui KDE 3.5.10, GNOME 2.22.2, Xfce 4.4.2, o novo ambiente leve para desktops LXDE 0.3.2.1, X.Org 7.3 e o OpenOffice.org 2.4.1, em sua maioria softwares em versões ultrapassadas.
O desktop GNOME padrão do Debian GNU/Linux 5.0
O Debian é famoso por não ter uma data certa para lançamento, preferindo ser lançado "quando estiver pronto". Diante do objetivo do Debian, essa filosofia não chega a surpreender. Como lançar um novo produto estável sem que ele tenha sido devidamente testado!? Como nós vimos com o lançamento do Lenny, questões políticas internas podem prejudicar o lançamento de uma versão estável. Por isso, foi para o alívio de muitos que o Lenny saiu da toca no final de semana. Aproveitei a oportunidade para ver o que ele tinha a oferecer em termos de desktop. Como mencionado anteriormente, o ciclo de lançamento do Debian é bem mais lento que o do Ubuntu, que lança uma nova versão a cada seis meses. Sendo assim, o Ubuntu inclui software mais atualizado e tem suporte mais liberal a drivers binários e outros softwares não livres, além de incluir vários scripts e melhorias automatizadas. E o que o Debian tem a oferecer?
As primeiras imagens que eu baixei foram dos live-CDs do GNOME e do KDE. Ao contrário de muitas outras distros, o Debian mostra-se bem básico após a inicialização. Não há telas bonitinhas durante o carregamento nem barra de progresso, apenas a resolução padrão do terminal e o texto habitual correndo pela tela. Tirando uma arte ou duas, o ambiente Debian parece bem comum. Os dois CDs vão direto para o desktop com o usuário 'user', e você está pronto para a batalha! A primeira coisa que eu notei é que o live-CD é bem completo, talvez seja o mais completo que eu já vi. Para começar, o OpenOffice.org está incluído, algo raro em um live CD ultimamente, devido ao seu tamanho. A versão do KDE tinha alguns aplicativos GTK+, incluindo o Iceweasel (navegador do Debian baseado no Firefox) e o GIMP. Uma coisa que me incomoda nos ambientes GNOME de algumas distros é a configuração padrão de exibição do Nautilus, que abre pastas em novas janelas.
Desktop KDE do Debian GNU/Linux 5.0
Os ambientes vêm com a ferramenta gráfica de gerenciamento de pacotes Synaptic, incluindo uma ferramenta para atualização do sistema. No GNOME, o Rhythmbox abriu quando pluguei meu reprodutor de mídia, mostrando as minhas músicas, mas elas não tocavam. Para minha surpresa, os mesmos arquivos MP3 tocaram logo de cara no Totem. Parece que os plugins do GStreamer vêm instalados por padrão, e outros codecs proprietários talvez sejam suportados instantaneamente. Ao contrário do Ubuntu, não há assistentes gráficos de um clique para a instalação de software e drivers proprietários. Mas o Debian tem uma ótima ferramenta chamada 'module-assistant' que automatiza boa parte da tarefa de compilar módulos externos do kernel. A instalação do 'fglrx-driver' baixou os pacotes necessários para a minha placa de vídeo, incluindo o module-assistant e as ferramentas e bibliotecas para a compilação. Com tudo instalado eu rodei o comando necessário do module-assistant:
O comando baixou os headers do kernel, compilou o módulo e fez a instalação. Depois eu tive que preparar o arquivo de de configuração do servidor X e carregar o módulo:
Depois de reiniciar o servidor X tudo funcionou conforme o esperado. Instalei o 'compiz' e o 'fusion-icon', testei o desktop 3D e ele funcionou bem.
Instalador
Por muito tempo, o Debian teve a reputação de ser uma distro difícil de instalar e de usar. É verdade que o instalador padrão é em modo texto, mas também há um instalador gráfico disponível (embora não seja o instalador padrão). Para testar o instalador, eu baixei a imagem de instalação via rede (netinstall), que traz o sistema básico no CD e baixa o resto do ambiente pela internet. O instalador é uma interface simples em GTK+ para o instalador de texto, mas o visual é bom. Há um modo avançado para usuários que queiram um pouco mais de controle (como a capacidade de instalar a partir de mirrors FTP). Seria ótimo ter a lista de etapas à esquerda, para o usuário saber a quantas anda o processo todo. A rede na qual eu fiz a instalação usa um proxy que bloqueia tráfego não autenticado, o que causou uma boa demora na hora de atualizar os repositórios.
Um dos recursos mais legais do instalador do Debian é a capacidade de tirar fotos. É só clicar no botão 'Capturar tela' e a foto é gravada no ambiente virtual. Muito legal! O particionador não é dos mais amigáveis, mas depois que você entende como ele funciona ele faz bem seu trabalho. É preciso clicar duas vezes em cada partição para editá-la e mais duas vezes em cada tarefa para concluí-la, ou selecionar uma entrada e apertar o botão 'Continuar' abaixo. Ele inclui a opção de particionar as unidades automaticamente e também oferece LVM e criptografia. No modo avançado, o instalador pergunta se você deseja que o disco de RAM inicial suporte todos os drivers disponíveis ou apenas os necessários para o seu sistema. É um recurso legal que ajuda a criar um sistema mais personalizado.
Particionador da instalação do Debian GNU/Linux 5.0
Com o sistema básico configurado e instalado, o instalador pede uma senha para a conta root e solicita a criação de um usuário local. Ele não verifica a complexidade das senhas, um recurso que seria interessante adicionar. O modo avançado pergunta se a conta de root deve ou não ser habilitada. Em caso negativo, os comandos de root são realizados pelo comando 'sudo', de modo semelhante à configuração padrão do Ubuntu. Um probleminha do instalador é que não é fácil cancelar a instalação. É preciso ir clicando no botão voltar até chegar ao menu de etapas (que até então não havia sido exibido), selecionar 'Abortar a instalação' e clicar em 'Continuar'. De modo geral, o instalador é bem simples mas funciona muito bem.
Conclusão
O Debian é simples, mas tem ferramentas muito poderosas para a compilação de pacotes e a configuração do sistema. É uma distribuição muito estável, já que não tem interesse excessivo por novos recursos e se concentra em criar um ambiente confiável. Os usuários que procuram um desktop com tudo o que há de mais moderno não vão encontrar isso na árvore do Debian stable. Por isso, a maioria dos usuários usa o testing ou o unstable no desktop, ou uma mistura dos dois. Com isso conseguem pacotes mais recentes, abrindo mão da estabilidade suprema. De tacada, o Lenny inclui todos os programas usados pela maioria dos usuários, com dezenas de milhares de outros disponíveis ao clique do mouse, ou ao toque de uma tecla. Para sistemas mais modestos, o novo ambiente LXDE parece funcionar bem, consumindo por volta de 130 MB de RAM na máquina em que fiz o teste. Para usuários experientes do Ubuntu o Debian pode cair bem, pois não tem tanta automatização e oferece maior controle sobre o sistema desde o primeiro instante.
Desktop LXDE do Debian GNU/Linux 5.0
Tradução por Roberto Bechtlufft
