Ubuntu Linux vai ganhar loja de software

Postador por Francisco Coelho


A Canonical divulgou um novo componente para sua distribuição Linux em fase de produção, o Ubuntu 9.10.
A Ubuntu Software Store deve unificar todos os gerenciadores de pacotes existentes para o sistema operacional, atuando como um centro de download e distribuição de programas e aplicativos. Segundo a companhia, por estar em fase de testes, as versões de desenvolvimento do SO não virão com a loja instalada. Caberá ao usuário fazer a instalação através do Synaptic. A Canonical deve substituir sistematicamente a quantidade de gerenciadores de pacotes existentes, como o Update Manager, o Computer Janitor e até mesmo o próprio Synaptic. Apesar do plano, esses programas devem continuar nos pacotes, já que a loja continua em sua versão de testes. Entre os recursos da Ubuntu Software Store estão ferramentas de busca, avaliações de usuários, instalação dos programas, instalação de programas do Windows, compra de produtos, imagens dos aplicativos e atualizações diretas do próprio Ubuntu. Mais informações podem ser encontradas no wiki da empresa.


Fonte: Info

Script para configurar redes wireless no Debian ou Ubuntu

Postador por Tiago Damasceno

O Debian Lenny trouxe um suporte a placas wireless sensivelmente melhorado, oferecendo inclusive os firmwares proprietários para placas wireless Intel e Ralink (muito diferente do que tínhamos no Etch, onde quase tudo precisava ser feito manualmente). Eles não vêm instalados por padrão, mas podem ser instalados rapidamente através dos pacotes "firmware-iwlwifi", "firmware-ipw2×00" e "firmware-ralink". Veja só

$ apt-cache search firmware-iwlwifi
firmware-iwlwifi - Binary firmware for Intel Wireless 3945 and 4965

$ apt-cache search firmware-ipw2×00
firmware-ipw2×00 - Binary firmware for Intel Pro Wireless 2100, 2200 and 2915

$ apt-cache search firmware-ralink
firmware-ralink - Binary firmware for Ralink RT2561, RT2571, RT2661 and RT2671 wireless cards

Como o sistema passou a detectar a placa sozinho na grande maioria dos casos, fica faltando apenas a configuração da rede, que pode ser automatizada usando este script.

Ele gera o arquivo de configuração do wpa_supplicant e em seguida configura o arquivo /etc/network/interfaces, solucionando alguns problemas de configuração comuns pelo caminho. Essa mesma configuração também funciona no Ubuntu, onde o script pode ser usado para configurar a rede wireless manualmente, desativando o NetworkManager, a mesma configuração que comentei no post sobre ele:

A configuração manual é feita em dois passos. O primeiro é gerar o arquivo de configuração do wpa_supplicant, usando o wpa_passphrase, especificando o nome da rede (ex: rede) e a passphrase de acesso (ex: 123456), como em:

# wpa_passphrase rede 123456 > /etc/wpa_supplicant.conf

Assim como em outros comandos que escrevem diretamente em arquivos, ele precisa ser executado diretamente como root, não com o sudo.

Com o arquivo de configuração gerado, falta apenas a configuração no arquivo "/etc/network/interfaces". A configuração é a mesma que a usamos para placas cabeadas, com a adição de duas novas linhas, que ativam o uso do wpa_supplicant e indicam o arquivo de configuração que será usado, como em:

auto lo wlan0
iface lo inet loopback
iface wlan0 inet static
address 192.168.1.23
netmask 255.255.255.0
network 192.168.1.0
broadcast 192.168.1.255
gateway 192.168.1.1
wpa-driver wext
wpa-conf /etc/wpa_supplicant.conf

De volta ao post de hoje, você pode baixar o script no:
http://www.gdhpress.com.br/blog/arquivos/wireless-config.zip

Como de praxe, basta descompactar o arquivo e executar o script como root.

Aqui vai o "código fonte" do script para que você possa estudá-lo:

#!/bin/sh
# Script para configurar placas wireless manualmente no Ubuntu e Debian
# Por Carlos E. Morimoto
# http://www.gdhpress.com.br
# http://www.guiadohardware.net
# Pode ser alterado e redistribuído livremente dentro dos termos da GPL

clear
echo 'Este script permite configurar placas wireless no Ubuntu
e no Debian. Para usá-lo, é necessário que sua placa wireless
tenha sido reconhecida pelo sistema e seja listada na saída do
comando "cat /proc/net/wireless".

Ao usá-lo, será gerado o /etc/wpa_supplicant.conf e a
configuração da rede será salva no arquivo /etc/network/interfaces
(subscrevendo a configuração anterior). Caso o NetworkManager
esteja ativo, ele será desativado pela modificação no arquivo.
(Enter para continuar)'
read pausa
sleep 1

# Verifica se o script está sendo executado pelo root.
if [ "`id -u`" != "0" ]; then
echo 'Este script precisa ser executado como root. Digite "su -"
para se logar como root e execute o script novamente.
Se você está usando o Ubuntu, defina a senha de root usando o
comando "sudo passwd" e em seguida logue-se usando o "su -".
Para facilitar, você pode copiar este script para a pasta
/usr/local/bin/, de forma a não precisar mais executá-lo usando
o caminho completo ou o ./
'
read pausa
exit 0
fi

# Detecta a placa wireless
placa=`cat /proc/net/wireless | tail -n 1 | cut -f 1 -d ":"`
if [ -z "$placa" ]; then
echo "Não foi possível detectar a placa wireless."
echo "Certifique-se de que ela esteja sendo detectada pelo sistema."
exit 2
else
echo "
echo "Detectada a placa $placa"
echo "
fi

if [ -e "/sbin/wpa_supplicant" ]; then

# Verifica se existe uma placa cabeada já configurada
rede=`ifconfig | grep eth0`
if [ -n "$rede" ]; then
echo "Aparentemente você tem uma placa cabeada já configurada."
echo "Gostaria de desativá-la? (s/n)"
read resposta
if [ "$resposta" = "s" ]; then
echo 'ifconfig eth0 down'
echo "
ifconfig eth0 down
fi
fi

sleep 1

# Pergunta as configurações da rede wireless:
echo "Digite o nome (ESSID) da rede wireless. ex: casa"
read SSID
echo ''
echo "Digite a chave de encriptação da rede. ex: 123456"
read KEY
# Gera a configuração do wpa_supplicant
wpa_passphrase $SSID $KEY > /etc/wpa_supplicant.conf
echo ''
echo "Arquivo /etc/wpa_supplicant.conf gerado:"
echo ''
cat /etc/wpa_supplicant.conf
echo ''

# Faz backup do arquivo /etc/network/interfaces
DATA=`date +%Y-%m-%d-%H.%M`
cp -a /etc/network/interfaces /etc/network/interfaces.$DATA
echo "Backup gerado: /etc/network/interfaces.$DATA"

sleep 1
echo ''

echo "Configurar a rede via dhcp? (s/n)"
read resposta
if [ "$resposta" = "s" ]; then
# Escreve o novo arquivo:
echo "auto lo $placa" > /etc/network/interfaces
echo "iface lo inet loopback" >> /etc/network/interfaces
echo "iface $placa inet dhcp" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-driver wext" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-conf /etc/wpa_supplicant.conf" >> /etc/network/interfaces
echo " >> /etc/network/interfaces
echo 'Novo arquivo /etc/network/interfaces gerado:'
cat /etc/network/interfaces
else

echo "Digite o endereço IP. Ex: 192.168.1.65"
read IP
echo ''
echo "Digite a máscara. Ex: 255.255.255.0"
read MASK
echo ''
echo "Digite o endereço da rede. Ex: 192.168.1.0"
read NETW
echo ''
echo "Digite o endereço de broadcast Ex: 192.168.1.255"
read BROAD
echo ''
echo "Digite o endereço do gateway. Ex: 192.168.1.1"
read GW
echo ''
echo "Digite o endereço do DNS primário. Ex: 208.67.222.222"
read DNS1
echo ''
echo "Digite o endereço do DNS secundário Ex: 208.67.220.220"
read DNS2
echo ''
# Escreve o novo arquivo:
echo "auto lo $placa" > /etc/network/interfaces
echo "iface lo inet loopback" >> /etc/network/interfaces
echo "iface $placa inet static" >> /etc/network/interfaces
echo "address $IP" >> /etc/network/interfaces
echo "netmask $MASK" >> /etc/network/interfaces
echo "network $NETW" >> /etc/network/interfaces
echo "broadcast $BROAD" >> /etc/network/interfaces
echo "gateway $GW" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-driver wext" >> /etc/network/interfaces
echo "wpa-conf /etc/wpa_supplicant.conf" >> /etc/network/interfaces
echo '' >> /etc/network/interfaces
echo 'Novo arquivo /etc/network/interfaces gerado:'
cat /etc/network/interfaces
echo "nameserver $DNS1" > /etc/resolv.conf
echo "nameserver $DNS2" >> /etc/resolv.conf
fi

sleep 1
echo ''

# Fecha o wpa_supplicant caso já ativo
killall wpa_supplicant

echo "Recarregando a configuração da rede:"
/etc/init.d/networking restart

sleep 3

echo 'Configuração completa. Se você está usando o Ubuntu, pode ser
necessário reiniciar para que o NetworkManager dê lugar à
configuração manual.

Para restaurar a configuração anterior (e restaurar o uso do
NetworkManager), restaure a configuração anterior da rede,
restaurando o arquivo de backup, como em:'

echo "rm /etc/network/interfaces"
echo "mv /etc/network/interfaces.$DATA /etc/network/interfaces"
echo ''


# Fim do laço iniciado no começo do script, que aborta caso o
# wpa_supplicant não esteja instalado.
else
echo "O arquivo /sbin/wpa_supplicant não está disponível."
echo "Cheque a instalação do wpasupplicant."
fi

Fonte: Carlos Morimoto

Dicas rápidas para o Ubuntu

Postador por Tiago Damasceno

Assim como outros live-CDs, o Ubuntu é um sistema "tamanho único", que consiste em uma imagem pré-instalada, contendo um conjunto padrão de aplicativos, diferente do que temos em distribuições tradicionais, onde você pode escolher quais pacotes quer instalar. Essa abordagem é mais simples, já que você precisa apenas dar boot pelo CD e instalar, mas em troca faz com que sejam instalados vários aplicativos de ue não precisa. Vamos então a uma pequena lista de alguns aplicativos e componentes e componentes que você pode remover com segurança.

Os efeitos 3D do compriz são o motivo de muitos testarem o Ubuntu e outras distribuições Linux e são sempre uma diversão nos primeiros dias. Entretanto, eles consomem uma boa dose de recursos do sistema e acabam cansando depois de algum tempo. Se você se cansou dele, ou se está frustrado por que a placa de vídeo não possui drivers 3D, remova o pacote "compriz-core", que vai remover junto os pacote compiz compiz-fusion-plugins-extra compiz-fusion-plugins-main compiz-gnome e compiz-plugins, que compõem o conjunto:

$ sudo apt-get remove compiz-core

Os efeitos 3D do compriz são o motivo de muitos testarem o Ubuntu e outras distribuições Linux e são sempre uma diversão nos primeiros dias. Entretanto, eles consomem uma boa dose de recursos do sistema e acabam cansando depois de algum tempo. Se você se cansou dele, ou se está frustrado por que a placa de vídeo não possui drivers 3D, desative os efeitos 3D nas configurações e reserve os recursos do sistema para tarefas realmente importantes.

O Evolution é um cliente de e-mails bastante usado devido à similaridade com o Outlook. Entretanto, ele é também complexo e pesado, de forma que muitos preferem usar o Thunderbird, ou simplesmente utilizam o GMail ou outro webmail. Você pode removê-lo usando:

$ sudo apt-get remove evolution

Uma observação importante é que você não deve remover os pacotes "evolution-common" ou o "evolution-data-server-common", pois eles são utilizados por diversos outros aplicativos do Gnome, entre eles o gnome-network-admin, o gnome-volume-manager e o gnome-backgrounds. Ao removê-los, a barra de tarefas do Gnome deixa de ser aberta, tornando a interface quase inutilizável.

Você pode também remover o conjunto de jogos do Gnome que vem pré-instalado. Apesar de simples, eles ocupam quase 50 MB:

$ sudo apt-get remove gnome-games gnome-games-data

Se você não precisa de suporte a scanners (nem a impressoras multifuncionais com função de scanner), pode remover o Sane:

$ sudo apt-get remove sane xsane libsane

Se você quiser remover o OpenOffice (para usar o BrOffice ou outra suíte) use:

$ sudo apt-get remove openoffice.org-l10n-common

O Ubuntu inclui diversos conjuntos de fontes com caracteres orientais, que são necessários para tornar o sistema multilíngue. Entretanto, se você não fala árabe, chines, koreano, taiwanês, hindi ou japonês, pode removê-las para economizar espaço:

$ sudo apt-get remove ttf-arabeyes ttf-arphic-uming ttf-indic-fonts-core ttf-kochi-gothic ttf-kochi-mincho ttf-thai-tlwg ttf-unfonts-core

No final do processo, use o autoremove do apt-get para remover pacotes órfãos, que não são mais necessários e aproveite para limpar o cache do apt-get:

$ sudo apt-get autoremove
$ sudo apt-get clean

Contionuando com as dicas, o Firefox vem (pelo menos no Ubuntu 8.10) com o módulo para correção ortográfica ativado, mas sem o dicionário para o Português do Brasil, o que faz com que ele simplesmente sublinhe quase todas as palavras. Para instalá-lo, acesse o https://addons.mozilla.org/pt-BR/firefox/addon/3257 e instale o complemento.

O Ubuntu inclui uma versão pré-compilada do driver 3D da nVidia, que pode ser instalado usando o apt-get. Instalar o driver desta forma é mais prático, pois você não precisa de compiladores nem dos headers do Kernel, como precisaria ao instalar manualmente o pacote baixado no www.nvidia.com.

$ sudo apt-get install nvidia-glx

Depois de instalar o driver, falta mudar a configuração do vídeo para que ele seja usado. Aqui você poderia usar a receita tradicional e editar o arquivo "/etc/X11/xorg.conf", trocando o driver "nv" (o driver 2D que vem com o X) por "nvidia" (o driver 3D), ou usar o comando:

$ sudo dpkg-reconfigure xserver-xorg

Ele refaz a configuração do vídeo, pedindo várias confirmações. Como tudo é autodetectado, você pode simplesmente ir pressionando em todas. Preste atenção apenas para escolher "nvidia" na segunda pergunta, referente ao driver de vídeo que será usado.

Créditos: Carlos Morimoto

Configurando redes wireless ad-hoc, no Linux

Postador por Tiago Damasceno

Continuando as dicas do post anterior, vamos agora às dicas para configurar redes wireless ad-hoc no Linux.

A maior parte dos utilitários de configuração de redes wireless no Linux suportam também o uso de redes ad-hoc. Ao usar o Ubuntu, Kubuntu ou outra distribuição que utilize o networkmanager, por exemplo, a rede ad-hoc aparece na lista de redes disponíveis e você pode se conectar diretamente depois de fornecer a passphrase. Ele suporta inclusive o uso do WPA-None (do Windows XP), ou do WPA2 suportado no Vista. A dica é que você precisa indicar corretamente o tipo de chave usada (ele não detecta sozinho), caso contrário ele não consegue se conectar:

É possível também criar uma nova rede ad-hoc usando a opção "Criar nova rede sem fio" na janela de seleção de rede, indicando o SSID, o sistema de encriptação e a passphrase desejados:

Como pode ver no screenshot, é possível usar o WPA-Pessoal (WPA-PSK) como sistema de encriptação. Entretanto, ao usar essa opção, o PC passa a atuar de forma similar a um ponto de acesso, trocando a chave de encriptação periodicamente e distribuindo as novas chaves aos demais PCs. Com isso, a rede ad-hoc deixa de ser uma rede não-hierárquica e pára de funcionar caso o PC responsável seja desligado.

No Mandriva você pode utilizar o wizard disponível no "Mandriva Control Center > Rede & Internet > Configurar uma nova interface de rede > Wireless". Na tela em que ele mostra a lista das redes disponíveis, use a opção "Não listada - editar manualmente". Na tela seguinte, escolha a opção "Ad-hoc" e indique o SSID da rede e a chave de encriptação. Com isso você cria uma nova rede ad-hoc em vez de se conectar a uma rede existente.

É possível também configurar a rede em modo ad-hoc via linha de comando. Comece logando-se como root e rode o comando "cat /proc/net/wireless" para verificar como o sistema detectou sua placa wireless (no exemplo ela é a "eth1"):

# cat /proc/net/wireless

Inter-| sta-| Quality | Discarded packets | Missed | WE
face | tus | link level noise | nwid crypt frag retry misc | beacon | 20
eth1: 0000 98. -25. -85. 0 104 0 0 75 0

Comece ativando a placa usando o comando "ifconfig $placa up", seguido do comando do iwconfig que coloca a placa em modo ad-hoc, como em:

# ifconfig eth1 up
# iwconfig eth1 mode Ad-Hoc

O próximo passo é definir o SSID da rede, dessa vez usando o parâmetro "essid" do iwconfig, como em:

# iwconfig eth1 essid gdh

Falta agora definir a chave de encriptação. Ao usar uma chave WEP contendo caracteres ASCII, use o parâmetro "key restricted s:", seguido pela chave, como em:

# iwconfig eth1 key restricted s:minhachave123

Se for usada uma chave contendo caracteres em hexa, remova o "s:", especificando a chave diretamente, como em:

# iwconfig eth1 key restricted 1234567890

Com isso a rede ad-hoc está configurada. Falta apenas ajustar os endereços. Para configurar a rede via DHCP, use:

# dhclient eth1

Para definir o endereço e a máscara manualmente, use:

# ifconfig eth1 10.0.0.1 netmask 255.0.0.0 up
(a faixa de endereços usada na rede ad-hoc deve ser diferente da usada na rede cabeada)

Aqui vai a lista dos comandos para referência, com os campos que devem ser alterados em negrito:

ifconfig eth1 up
iwconfig eth1 mode Ad-Hoc
iwconfig eth1 essid gdh
iwconfig eth1 key restricted s:minhachave123
ifconfig eth1 10.0.0.1 netmask 255.0.0.0 up

Estes mesmos comandos podem ser usados tanto para criar uma nova rede ad-hoc quanto para conectar máquinas Linux a uma rede já existente. Como a rede ad-hoc usa um sistema ponto a ponto, você precisa apenas fazer a mesma configuração em todos os micros. Eles são comandos genéricos, funcionam em todas as placas, sem depender de nenhum utilitário adicional.

A exceção fica por conta das placas Atheros, que utilizam o driver madwifi (onde a placa de rede é vista pelo sistema como "ath0"). Nelas (apenas nelas), antes de executar os comandos, você deve rodar os três comandos abaixo para colocar a rede em modo ad-hoc. Sem eles, a placa continua funcionando em modo infra-estrutura, e a rede ad-hoc não funciona:

# ifconfig ath0 down
# wlanconfig ath0 destroy
# wlanconfig ath0 create wlandev wifi0 wlanmode adhoc

A lista completa dos comandos ao usar uma placa Atheros seria:

ifconfig ath0 down
wlanconfig ath0 destroy
wlanconfig ath0 create wlandev wifi0 wlanmode adhoc
ifconfig ath0 up
iwconfig ath0 mode Ad-Hoc
iwconfig ath0 essid gdh
iwconfig ath0 key restricted s:minhachave123
ifconfig ath0 10.0.0.1 netmask 255.0.0.0 up

Continuando, caso o micro Linux tenha duas interfaces de rede, você pode compartilhar a conexão com os micros da rede ad-hoc usando os três comandos abaixo. Note que o "eth0" é a interface da rede cabeada (ou a interface onde está a conexão) e não a placa wireless:

# modprobe iptable_nat
# echo 1 > /proc/sys/net/ipv4/ip_forward
# iptables -t nat -A POSTROUTING -o eth0 -j MASQUERADE

O terceiro comando diz que quando um dos PCs da rede ad-hoc tentar acessar a web, os pacotes devem ser encaminhados para a placa eth0, que no exemplo é a interface da rede local. Como no exemplo não instalamos um servidor DHCP, é necessário configurar manualmente os endereços dos PCs da rede ad-hoc, configurando-os para usar o micro Linux como gateway e os endereços DNS do provedo.

É possível também configurar o PC Linux para atuar como um bridge entre a rede ad-hoc e a rede local, assim como fizemos no Windows no tópico anterior. Nesse caso, precisaremos do pacote "bridge-utils", que pode ser instalado usando o gerenciador de pacotes, como em:

# apt-get install bridge-utils

O pacote contém o utilitário "brctl", que é usado para ativar o bridge, criando uma nova interface que agrupa a interface da rede local e a da rede ad-hoc. A configuração não é tão simples quanto poderia ser, mas também está longe de ser difícil.

Comece limpando os endereços das duas placas (wireless e local). No exemplo, a eth0 é a interface da rede local e a eth1 (uma Intel ipw2200) é a placa wireless. As duas devem ficar ativas, mas usarão o endereço "0.0.0.0":

# ifconfig eth0 0.0.0.0 up
# ifconfig eth1 0.0.0.0 up

Em seguida, crie a interface bridge usando o comando "brctl addbr". O segundo comando soluciona um problema comum com o uso do DHCP através do bridge:

# brctl addbr br0
# brctl setfd br0 0

Com a interface br0 criada, use o comando "brctl addif" para adicionar as duas interfaces no bridge. A lógica é a mesma de quando você seleciona as duas interfaces e ativa a opção "Conexões de ponte" no Windows:

# brctl addif br0 eth0
# brctl addif br0 eth1

Com isso a configuração está pronta. Falta apenas ativar a interface br0 para ativar o bridge. É normal que ele demore alguns minutos antes de começar a transmitir os pacotes, pois é necessário que ele construa a tabela com os endereços MAC dos micros conectados a cada uma das interfaces, necessária para que ele possa fazer seu trabalho.

Note que no comando é necessário especificar também o endereço IP e a máscara que serão usados pela interface. É a partir dele que o PC Linux passará a ser acessado em ambas as redes:

# ifconfig br0 192.168.1.23 netmask 255.255.255.0 broadcast 192.168.1.255 up

Para que você possa navegar e acessar a rede no PC Linux, é necessário definir o gateway da rede. Se o endereço do gateway for "192.168.1.1", o comando seria:

# route add default gw 192.168.1.1 dev br0

Revisando, a lista completa dos comandos necessários para criar o bridge, já configurando a interface para que o PC possa continuar acessando a rede, seria:

ifconfig eth0 0.0.0.0 up
ifconfig eth1 0.0.0.0 up
brctl addbr br0
brctl setfd br0 0
brctl addif br0 eth0
brctl addif br0 eth1
ifconfig br0 192.168.1.23 netmask 255.255.255.0 broadcast 192.168.1.255 up
route add default gw 192.168.1.1 dev br0

Como de praxe, lembre-se de substituir os parâmetros em negrito pelas interfaces e os endereços que se aplicam ao seu caso. No último comando, o "192.168.1.1" é o endereço do gateway da rede. A interface do bridge pode receber outro nome (escolhido por você), o "br0" é apenas um exemplo.

Se quiser desativar o bridge mais tarde, use os comandos:

# ifconfig br0 down
# brctl delbr br0

É necessário também reconfigurar as duas interfaces de rede, já que eles foram configuradas com o endereço "0.0.0.0" durante a ativação do bridge.

Infelizmente, muitos dos drivers para placas wireless atualmente disponíveis no Linux (início de 2008) não oferecem suporte ao modo promíscuo (onde a placa escuta todas as transmissões da rede, inclusive as destinadas a outros endereços MAC), o que faz com que o bridge não funcione. O PC Linux com as duas placas de rede consegue enxergar simultaneamente os PCs dos dois segmentos de rede, mas os PCs de um segmento não conseguem enxergar os outros, já que os frames não são encaminhados.

Nesses casos, não existe muito o que fazer, mas você ainda pode utilizar a dica anterior, usando os comandos para compartilhar a conexão, permitindo, assim, que os micros da rede ad-hoc tenham acesso à web.

Créditos: Carlos Morimoto

Solucionando problemas de boot no Linux

Postador por Tiago Damasceno

Em quase todas as distribuições, é possível especificar opções adicionais durante o boot. Estas opções são repassadas diretamente ao kernel, alterando seu comportamento, ou desativando recursos que podem fazer com que o sistema trave durante o boot, ou que determinados não seja reconhecidos. No Ubuntu, por exemplo, você pode acessar a linha de opções para o kernel pressionando a tecla F6 na tela de boot:

boot_html_74f59142

Você pode combinar várias opções, caso necessário, combinando de uma vez várias opções para solucionar problemas comuns (acpi=off, noapic, nolapic, etc.) de maneira a tentar fazer a máquina terminar o boot e depois ir testando uma a uma para descobrir qual elas que realmente resolveu o problema.

Todas estas opções possuem efeitos colaterais, de forma que elas não servem para otimizar ou melhorar o desempenho do sistema, são apenas uma forma de solucionar problemas em casos específicos. Vamos então a uma lista das opções disponíveis, que você pode usar como fonte de consulta para quando tiver problemas:

acpi=off: Esta opção desativa o ACPI, corrigindo problemas diversos de boot em muitas máquinas. O ACPI é o responsável pelo monitoramento da carga da bateria, ajuste da freqüência do processador e muitas outras funções importantes, de maneira que você deve deixar para desativá-lo apenas em último caso.

acpi=noirq: Esta é uma versão mais light da opção "acpi=off", que ao invés de desativar completamente o suporte a ACPI, desativa apenas a atribuição dinâmica de endereços, que é a causa de uma grande parte dos problemas relacionados ao ACPI.

Esta opção corrige problemas na detecção da placa de rede, placa de som e placa wireless em diversos notebooks da Acer, Positivo e possivelmente outros fabricantes, além de diversas placas-mãe com chipset SiS, causadas por bugs na atribuição de endereços por parte do BIOS.

Uma observação importante é que embora corrija problemas em algumas placas e notebooks, esta opção cria problemas de detecção de componentes e conflitos em outros, fazendo com que a placa wireless ou periféricos USB não sejam detectados, por exemplo. Você deve usá-la apenas como forma de solucionar problemas, nunca como uma opção de rotina.

noapic: O APIC é um recurso usado nos micros modernos para atribuir endereços de IRQ, evitando conflitos entre os dispositivos. Entretanto, muitos PCs usam BIOS com bugs diversos, que atribuem o endereços incorretamente. O resultado mais comum é que alguns periféricos não sejam detectados pelo sistema, como nos misteriosos casos onde a placa de som ou a placa de rede não são detectados no Linux. Usar esta opção soluciona o problema em muitos casos.

Note que, em muitos casos, a melhor forma de corrigir de forma definitiva este tipo de problema é fazer uma atualização de BIOS da placa-mãe, já que uma versão corrigida pode solucionar o problema direto na fonte. Muitos fabricantes, como a Asus, oferecem um bom suporte com relação a isso; vale a pena verificar se não existe uma atualização disponível para sua placa. Normalmente, o upgrade de BIOS é feito dando boot através de um disquete ou CD-ROM gravado com uma imagem baixada na página do fabricante. Atualizar o BIOS é um procedimento potencialmente perigoso, por isso não deixe de ler as instruções do fabricante e checar se o arquivo baixado é realmente para a sua placa.

nolapic: O LAPIC (local APCI) é uma variação do APIC que é usado em máquinas com processadores dual-core ou quad-core. Assim como a "noapic", a opção "nolapic" é usada para solucionar problemas relacionados ao boot ou à detecção de periféricos. Embora as duas possam ser usadas em conjunto enquanto você está atirando para todos os lados, normalmente apenas uma delas é necessária.

nosmp: Em máquinas com processadores dual-core, esta opção desativa o segundo núcleo, o que soluciona problemas de boot em muitas máquinas. Naturalmente, sem um dos núcleos o desempenho da máquina será mais baixo, mas ela serve como uma solução temporária, até que você descubra uma solução definitiva para o problema, que pode ser uma atualização de BIOS, uma nova versão do kernel, ou, simplesmente, uma versão atualizada da distribuição em uso.

pci=biosirq: Esta é mais uma opção que resolve problemas de detecção da placa de rede ou som em algumas máquinas. Ela faz com que o sistema siga a configuração de endereços definida pelo BIOS, em vez de usar o procedimento normal de detecção.

pci=bios: Mais uma opção de compatibilidade, desta vez destinada a burlar problemas com a controladora PCI da placa mãe. Embora raro, é necessário usá-la para que o sistema consiga completar o boot em alguns notebooks.

pnpbios=off: Desativa o suporte a plug-and-play por parte do BIOS da placa-mãe, deixando que o Kernel se encarregue da detecção de todos os componentes. Esta é mais uma opção que resolve problemas de compatibilidade em algumas placas.

irqpoll: Esta opção modifica a forma como o sistema detecta os dispositivos da máquina, corrigindo uma série de problemas em PCs e notebooks recentes, sobretudo quando usados em conjunto com distribuições antigas, anteriores a 2008. Ela é necessária para a placa wireless funcionar em alguns notebooks Acer com placas Broadcom, resolve problemas relacionados com a placa de som ou com placa de rede em diversas configurações e soluciona um problema relacionado à detecção de HDs SATA em placas baseadas no chipset K8T890 (como a Asus A8V-E), entre outras. Esta opção causa poucos efeitos colaterais, se comparada com as demais.

reboot=b: Essa opção faz com que seja usada uma função alternativa para reiniciar o micro via software, resolvendo alguns casos em que a máquina não reinicia sozinha ao usar o comando "reboot".

all-generic-ide: Esta opção soluciona problemas de compatibilidade com as controladoras IDE ou SATA de algumas placas-mãe, sobretudo nas placas com o infame chipset SiS 761GX/965L (ao usar um HD SATA), como a PC-Chips K8 A31G. Esta opção deve ser usada em casos onde o sistema não consegue detectar os HDs do micro (o que além de impedir que você acesse os arquivos, impossibilita a instalação). Ao usar a opção de boot, o sistema utiliza um modo de acesso genérico para os HDs, o que resolve o problema na maioria dos casos.

Esta opção causa uma redução significativa no desempenho do sistema, por isso só deve ser usada quando realmente necessário. Uma peculiaridade é que ela faz o sistema detectar o HD SATA como "/dev/hde" e não "/dev/sda", como seria usual. Apesar disso, a instalação do sistema ocorre de forma normal. Outra dica é que em algumas placas com chipset VIA pode ser necessário combiná-la com a opção "irqpoll", solucionando também um problema com a atribuição dos endereços.

Créditos: Carlos Morimoto

Usando o Ubuntu Tweak

Postador por Tiago Damasceno

Embora o menu de opções permita alterar apenas as opções mais básicas, o Gnome é, na verdade, um ambiente bastante personalizável. O grande problema é que a maior parte das opções estão acessíveis apenas através do "gconf-editor" ou, pior, apenas através de arquivos de configuração ou scripts.

O Ubuntu Tweak (http://ubuntu-tweak.com/) é um painel gráfico que torna muitas destas configurações acessíveis, aumentando bastante a flexibilidade da interface. Ele é feito especialmente para o Ubuntu e as novas versões companham os lançamentos da distribuição, o que torna a instalação bastante simples.

A primeira opção é simplesmente baixar a última versão do pacote no http://ubuntu-tweak.com/downloads e instalá-lo usando o dpkg, como em:

$ sudo dpkg -i ubuntu-tweak_0.4.4-1~intrepid1_all.deb

Você pode também adicionar as linhas dos repositórios, especificadas na página, no arquivo "/etc/apt/sources.list" e instalá-lo diretamente via apt-get, usando o "apt-get update" e "apt-get install ubuntu-tweak".

A vantagem de adicionar os repositórios em vez de simplesmente instalar o pacote diretamente é que você pode atualizá-lo posteriormente via apt-get, juntamente com os demais pacotes do sistema. Essa é sempre a maneira mais "limpa" de instalar programas.

O pacote cria um ícone no iniciar, o "Aplicativos > Sistema > Ubuntu Tweak" e você pode também chamá-lo via terminal, através do comando "ubuntu-tweak":

tweak_html_2b6cffe4

Vamos então a um resumo das opções:

Computador: É apenas um menu de informações não editáveis. Mostra informações como a versão do kernel, versão do Gnome, processador usado, quantidade de memória instalada e outras informações sobre o sistema.

Aplicativos: Este é um menu com funções adicionais para instalação e gerenciamento de pacotes, com funções para limpar o cache do apt-get (o "Limpeza de pacotes"), editar o arquivo sources.list e, mais interessante, um conjunto de "ícones mágicos" para instalar aplicativos adicionais, incluindo o VirtualBox, Wine e diversos outros aplicativos pré-selecionados.

Inicialização: Os aplicativos, serviços e applets que são carregados pelo Ubuntu durante o boot podem ser divididos em dois grupos: serviços de sistema, como o "bluetooth", "cups" e outros e componentes do Gnome, que são carregados durante a abertura do ambiente gráfico.

Os serviços de sistema podem ser desativados através do "Sistema > Administração > Serviços", mas não existe uma maneira prática de visualizar ou desativar os componentes que são carregados conjunto com o Gnome, mais um problema que o Ubuntu Tweak ajuda a resolver.

Alguns componentes que são fortes candidados a serem desativados são o "Assistência Visual", "Tracker" (o serviço de inexação de arquivos), "blueproximity" (pode ser configurado para travar o desktop quando você se afasta, monitorando a proximidade de um celular com Bluetooth, mas na maior parte do tempo serve só para travar o desktop em momentos inoportunos), "Verificar por novos drivers", "Evolution Alarm Notifier" (se você não usa a agenda do Evolution, não precisa dele, "Área de trabalho remota", "Gerenciador Bluetooth" (ele fica ativo em background mesmo quando não existe nenhum adaptador Bluetooth plugado) e o "Gnome Login Sound".

Área de trabalho: Ao contrário do que o nome pode sugerir, essa seção possui algumas opções bem interessante, que vão desde ajustes simples, como mostrar o ícone da lixeira na área de trabalho (permitindo que você remova o applet na barra de tarefas e libere um pouco mais de espaço para as janelas abertas), até opções para mudar o comportamento das janelas.

Pessoal: Uma das críticas de muitos contra os painéis do Gnome é que não existe uma opção para personalizar os atalhos de teclado (a única maneira de personalizá-los é através do gconf-editor) o que é mais uma carência suprida pelo Ubuntu Tweak. Outro facilitador interessante é o menu de edição de scripts, que permite que você ative scripts com junções adicionais para o Nautilus (que são exibidos quando você clica com o botão direito sobre os arquivos), incluindo opções para converter imagens, abrir programas como root e assim por diante.

Você pode também adicionar novos scripts, colocando-os na pasta "/.gnome2/nautilus-scripts", dentro do home. Você pode baixar scripts adicionais no http://g-scripts.sourceforge.net/ ou no http://mundogeek.net/nautilus-scripts/.

Sistema: Aqui estão disponíveis opções para alterar as associações de arquivos do sistema, ativar o uso de overburning (que permite espremer um pouco mais dados no CD ou DVD, ignorando o limite de tamanho e gravando até o final do espaço da mídia) no gravador, entre outras opções relacionadas ao Nautilus, ajustar as opções de gerenciamento de energia e também bloquear funções do sistema, como os menus de salvar arquivos para o HD, bloquear tela e assim por diante.

Créditos: Carlos Morimoto

Usando o notebook como segundo monitor

Postador por Tiago Damasceno

Hoje em dia, muito se fala sobre o uso de vários monitores e o possível ganho de possibilidade que uma área de trabalho mais espaçosa pode fazer. A idéia de usar vários monitores não é nada nova (o recurso é suportado desde versões muito antigas do Xfree, através do Xinerama e, no mundo Windows, está disponível desde o Windows 98), entretanto apenas recentemente, com a vertiginosa queda nos preços dos monitores de LCD e a maior disponibilidade de placas de vídeo com suporte a twin-view ou dual-head, é que a idéia começou a pegar. Além de usar dois monitores, outra idéia é usar seu notebook como segundo monitor, o que acaba sendo muito mais simples, já que você não precisa gastar nada.

Quase todo mundo que utiliza um notebook possui também um desktop em casa ou no trabalho. Quase sempre, os dois são vistos como computadores separados, que você usa em situações diferentes. Entretanto, é possível criar uma função muito mais ativa para o notebook, usando-o como segundo monitor para o desktop. Essa dica permite tanto que você use seu notebook e o desktop simultâneamente quanto que aproveite notebooks antigos, utilizando-os como monitores adicionais.

A base de tudo é o Synergy, sobre o qual falei no livro de Redes. Ele permite que você controle vários PCs simultâneamente, com o cursor do mouse (e o foco) do teclado circulando livremente entre eles, exatamente como se fossem dois monitores ligados ao mesmo PC. Para usá-lo, é necessário apenas que os dois estejam ligados em rede.

Como ele está disponível nos repositórios de todas as principais distribuições, a instalação é bastante simples, basta instalar o pacote "synergy" usando o gerenciador de pacotes:

# apt-get install synergy

O Synergy possui também uma versão para Windows, o que o torna uma opção bem democrática, já que permite que você use Linux no desktop e Windows no notebook (ou vice-versa) e continue conectando os dois da mesma maneira. Ela está disponível no http://synergy2.sourceforge.net/ onde você pode encontrar também os tradicionais pacotes com o código fonte.

Configurar o Synergy é bastante simples, você precisa apenas criar o arquivo ".synergy.conf" dentro do diretório home (ou o arquivo "/etc/synergy.conf", como preferir), especificando os nomes dos dois PCs e as posições das telas. Use este modelo de configuração, substituindo apenas os nomes e o endereço IP do notebook:

# /home/$USER/.synergy.conf
# Configuração do synergy para 2 micros

section: screens
desktop:
notebook:
end

section: links
desktop:
right = notebook
notebook:
left = desktop
end

section: aliases
desktop:
192.168.1.22
notebook:
192.168.1.23
end

section: options
switchCorners = all
switchCornerSize = 50
switchDelay = 200
heartbeat = 5000
end

Como pode ver, o arquivo começa listando os nomes dos dois micros (como definido na configuração da rede) e em seguida especifica que o notebook está à direita (right) do desktop e que o desktop está à esquerda (left) do notebook. Esta informação é necessária para que o Synergy consiga controlar a transição do mouse.

A seção "options" no final contém opções adicionais, que costumo utilizar. A "switchCornerSize = 50" cria uma barreira nos cantos da tela, evitando chaveamentos acidentais quando você precisar clicar no botão de fechar em janelas maximizadas. O "switchDelay = 200" também contribui para evitar chaveamentos acidentais, impondo um delay de 200 ms à transição do mouse, enquanto o "heartbeat = 5000" faz com que o Synergy monitore a conexão, encerrando a conexão caso o notebook seja desligado ou desconectado da rede.

O arquivo de configuração é criado apenas no desktop. Não é necessário fazer nenhuma configuração no notebook, apenas instalar o pacote do Synergy.

Para ativar a conexão, execute no desktop (como usuário, não como root) o comando:

$ synergys --daemon --restart

No notebook, execute o "synergyc" (o cliente do Synergy) especificando o endereço do desktop, ao qual ele vai se conectar:

$ synergyc --daemon --restart 192.168.1.22

As opções "--daemon --restart" nos dois comandos fazem com que o Synergy rode em background e reative a conexão automaticamente em caso de interrupção.

Se quiser encerrar a conexão manualmente, use o "killall synergys" (no desktop) ou o "killall synergyc" (no notebook).

No Gnome, você encontra um utilitário para alterar a orientação da tela no "Sistema > Preferências > Resolução de tela". Nas placas que suportam o recurso (como nos notebooks com chipsets Intel e da nVidia) você tem a opção de girar a imagem para a esquerda ou para a direita, colocando-a em modo portrait:

monitor_html_22207b53

Como pode imaginar, esse truque pode ser usado para que o notebook seja usado "virado", tirando proveito da tela wide para exibir mais texto na vertical. Essa disposição é ideal ao utilizar o segundo monitor para a janela do editor de textos (ou para ler arquivos em PDF), pois você pode visualizar uma página inteira na tela:

monitor_html_14fa3875

Para que o Synergy seja inicializado durante o boot, crie uma entrada para o comando no "Sistema > Preferências > Sessões > Programas iniciais" (se você usa o Gnome) ou coloque um ícone de atalho dentro da pasta "/home/nome/.kde/Autostart" (no KDE).

monitor_html_m2870f873

Configurando o desktop para executar o "synergys --daemon --restart" e o notebook para executar o "synergyc --daemon --restart 192.168.1.22", a conexão entre os dois será feita de maneira automática quando o notebook estiver conectado na rede.

É interessante que você crie também ícones de atalho no desktop, para forçar a conexão em casos onde ela é perdida por falhas na rede, ou em situações onde a conexão automática está demorando mais do que o esperado. Nesses casos, os comando são, respectivamente:

killall synergys; synergys --daemon --restart

e:

killall synergyc; synergyc --daemon --restart 192.168.1.22

O "killall" é necessário para que a instância do Synergy que foi aberta durante o boot seja fechada antes de ativar a nova conexão.

A área de transferência funciona perfeitamente entre os dois micros, permitindo que você copie URLs, trechos de texto e outras informações entre os dois facilmente. Fica faltando apenas uma forma simples de transferir arquivos entre os dois.

A maneira mais prática de transferir arquivos entre os dois é simplesmente usar o SSH. Instale o servidor SSH no notebook (o pacote "openssh-server") e deixe o serviço aberto em segundo plano.

A partir do desktop, acesse o "ssh://usuario@ip" (se você usa o Nautilus) ou o "fish://usuario@ip" (se você usa o Konqueror), como em "ssh://gdh@192.168.1.23". Abrindo duas abas, você pode arrastar rapidamente os arquivos de um PC para o outro, como se fossem duas pastas no HD:

monitor_html_m28f675bc

O Synergy funciona bem também através de redes wireless, o que permite que o sistema funcione de maneira bastante transparente para quem usa o NetworkManager para gerenciar a rede. Configurando o NetworkManager para se conectar à rede wireless quando ela estiver disponível e configurando o sistema para ativar o Synergy durante o boot, ele passará a funcionar "sozinho", estabelecendo a conexão entre o desktop e o notebook sempre que você estiver dentro do alcance da rede. Seu único trabalho fica sendo colocá-lo sobre a base.

Créditos: Carlos Morimoto

Usando o live-CD do Ubuntu como sistema de recuperação

Postador por Tiago Damasceno


06/02/2009 – 20:16

Além de funcionar como um live-CD, permitindo testar o sistema antes de instalar, o Ubuntu Desktop inclui também o suporte ao AUFS (o sucessor do UnionFS), que permite instalar programas. Como comentei no primeiro capítulo, o AUFS combina os arquivos do CD-ROM com um ramdisk, que é usado para guardar as modificações. Com isso, você pode baixar arquivos, instalar programas usando o apt-get, ou até mesmo compilar programas, com o sistema rodando a partir do CD-ROM.

Embora o Ubuntu não venha com muitas ferramentas de diagnóstico e recuperação pré-instaladas, você pode simplesmente configurar a rede e usar o apt-get para instalar os programas desejados. Com isso, você pode utilizar o sistema para recuperar arquivos em instalações danificadas do Windows (ou de outras distribuições Linux), fazer backup de partições usando o partimage, clonar HDs, regravar o grub, resetar a senha de root e assim por diante, tarefas que eram popularmente executadas usando distribuições live-CD especializadas.

Vamos então a uma lista mais detalhada das tarefas que você pode executar usando um simples CD do Ubuntu:

Particionamento: As versões recentes do Ubuntu trazem o Gparted pré-instalado, disponível através do "Sistema > Administração > Editor de partições". Ele permite que você use o CD do Ubuntu em casos em que precisa preparar o HD para a instalação de outros sistemas, redimensionar partições do Windows e assim por diante.

Regravar o grub: Acontece nas melhores famílias. Ao reinstalar o Windows, originalmente instalado em dual-boot, ele subscreve a MBR, removendo o lilo e fazendo com que a instalação do Linux na outra partição fique indisponível. Nesses casos, a solução é regravar o grub, fazendo com que ele volte à sua posição de direito.

Como o Ubuntu inclui os executáveis do grub, mesmo ao rodar em modo live-CD, a configuração é bastante simples. Comece abrindo o prompt do grub, usando o sudo:

$ sudo grub

Dentro do prompt, use os comandos "root" e "setup", que fazem a gravação na MBR. O primeiro comando especifica a partição onde o sistema está instalado e o segundo especifica o HD, seguindo a nomenclatura do grub. Se o Windows está instalado na primeira partição e a distribuição Linux na segunda, os comandos seriam:

root (hd0,1)
setup (hd0)

Isso regrava o grub, mantendo a mesma configuração usada anteriormente. Em muitos casos, você precisará fazer pequenos ajustes, incluindo a opção de inicializar o Windows, por exemplo. Nesses casos, você precisa apenas montar a partição de instalação do sistema e editar o arquivo "/boot/grub/menu.lst" dentro dela, como em:

$ sudo mkdir /mnt/sda2
$ sudo mount /dev/sda2 /mnt/sda2
$ sudo gedit /mnt/sda2/boot/grub/menu.lst

Resetar a senha de root: Esquecer a senha de root e ficar sem acesso ao sistema é outro caso clássico. Felizmente, este é um problema muito simples de resolver. A menos que você tenha encriptado a partição de instalação do sistema, você pode resetar a senha de root através do live-CD montando a partição onde o sistema está instalado e abrindo um chroot, que permite executar comandos dentro da partição:

$ sudo mkdir /mnt/sda1
$ sudo mount /dev/sda1 /mnt/sda1
$ sudo chroot /mnt/sda1

Com isso você obtém um prompt de root do sistema instalado dentro da partição, que pode usar para substituir a senha de root usando o comando "passwd":

# passwd

Como você já está logado como root dentro do terminal, ele simplesmente pedirá a nova senha, sem solicitar a anterior. O mesmo pode ser feito para trocar a senha de qualquer usuário do sistema, como em "passwd gdh".

O chroot pode ser usado para executar também outros comandos de recuperação. A principal limitação deste terminal de recuperação é que não é possível rodar ferramentas gráficas.

Recuperar arquivos na partição do Windows: O uso de live-CDs de distribuições Linux para recuperar arquivos em partições do Windows não é nada novo. Em 2003 já se fazia isso em larga escala usando CDs do Knoppix. Basicamente, basta dar boot usando o live-CD, acessar a partição e copiar os arquivos desejados para um HD externo (ou qualquer outro dispositivo de armazenamento removível) ou para um compartilhamento de rede.

Com a inclusão do NTFS-3G, novas possibilidades foram abertas, já que você pode também substituir arquivos dentro da partição. Isso permite que você tente recuperar a partição substituindo arquivos de sistema, repare configurações manualmente, entre outras possibilidades.

Recuperar configurações em uma instalação Linux: Outro caso comum é o uso do live-CD para recuperação de arquivos dentro de uma instalação Linux, para que você possa reinstalar o sistema. Se você precisa apenas de alguns arquivos específicos, a maneira mais simples de copiá-los é simplesmente acessar a partição usando o ícone no desktop e copiar usando o próprio gerenciador de arquivos.

Como o sistema respeita as permissões de acesso dos arquivos dentro da partição, você vai precisar abrir uma instância do nautilus como root para ter acesso completo. Para isso, basta usar o sudo:

$ sudo nautilus

Se, por outro lado, você precisa fazer uma cópia completa do diretório home (incluindo todas as configurações), o melhor é usar o comando "cp -a" (como root), que faz uma cópia exata, mantendo todas as permissões de acesso e incluindo todos os arquivos ocultos e as subpastas, como em:

$ sudo cp -a /media/disk-1/home /media/disk-2/

Você pode gerar também um arquivo compactado usando o tar, como em:

$ sudo tar -zcvf /media/disk-2/backup-home.tar.gz /media/disk-1/home

Backup e restauração de partições: O Ubuntu pode ser usado também para fazer backup de partições no HD, usando o Partimage, que você pode instalar via apt-get. Como ele faz parte do repositório Universe (que fica desabilitado por padrão no modo live-CD), é necessário editar o arquivo "/etc/apt/sources.list":

$ sudo gedit /etc/apt/sources.list

… e ativar o repositório descomentando a linha:

deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid universe

A partir daí, você pode instalá-lo da maneira tradicional:

$ sudo apt-get update; sudo apt-get install partimage

Se você acompanhou meus livros anteriores, o Partimage é um velho conhecido, que indico desde a época do Kurumin. Ele permite criar cópias do conteúdo das partições do HD, gerando imagens que podem ser restauradas posteriormente. Como ele copia apenas os dados dentro da partição (diferente de ferramentas como o dd, que fazem uma cópia bit a bit) e salva tudo em um formato compactado, as imagens geradas são relativamente pequenas, facilitando a cópia em pendrives e compartilhamentos de rede.

A vantagem de utilizá-lo rodando o sistema a partir de um live-CD é que todas as partições do HD ficam desmontadas, permitindo que você faça os backups livremente.

Em resumo, você deve montar a partição (ou o compartilhamento de rede) de destino, onde as imagens serão salvas e, dentro do Partimage, indicar a partição da qual será feito o backup e o arquivo de destino (ou seja, o arquivo dentro da pasta onde foi montada a partição ou o compartilhamento, onde a imagem será salva):

live-cd_html_m3f3eece0

Para restaurar, basta inverter o processo, indicando o arquivo como origem e a partição como destino, usando a opção "Restaurar a partir de um ficheiro de imagem" em vez da "Guardar num novo ficheiro de imagem". Como o Partimage precisa de acesso completo às partições, é necessário sempre executá-lo como root:

$ sudo partimage

Caso queria fazer um backup completo do HD, que possa ser restaurado em um HD limpo, é necessário fazer também um backup do MBR, onde é armazenada a tabela de partições. Isso pode ser feito usando o dd, como em:

$ sudo dd if=/dev/sda of=/mnt/backup/mbr-sda.img bs=512 count=1

Como de praxe, o "/dev/sda" especifica o device do HD (é preciso indicar diretamente o dispositivo e não a partição), o "/mnt/backup/mbr-sda.img" indica o arquivo onde a cópia será salva (salve de preferência no mesmo diretório das imagens das partições), enquanto o "bs=512 count=1" serve para limitar a cópia aos primeiros 512 bytes da partição.

Na hora de restaurar, você usaria novamente o dd, especificando o arquivo como origem e o device do novo HD como destino:

$ sudo dd if=/mnt/backup/mbr-sda.img of=/dev/sdb

Mais uma vez, devo enfatizar que é necessário muito cuidado ao usar o dd, já que um parâmetro errado pode facilmente fazer com que ele destrua os dados de seu HD de trabalho.

Este é apenas um resumo rápido do uso do Partimage, você pode ler mais detalhes sobre ele no capítulo 2 do Linux Ferramentas Técnicas, que está disponível online: http://www.gdhpress.com.br/ferramentas/leia/index.php?p=cap2-38

Clonagem de HDs: O CD do Ubuntu pode ser usado também para clonar HDs de forma fácil, novamente usando o dd. Tudo o que você precisa fazer é instalar o segundo HD, dar boot usando o live-CD, verificar os devices que foram atribuídos aos dos HDs pelo sistema (você pode usar o Gparted, por exemplo) e usar o dd para fazer uma cópia direta de todos os dados, como em:

$ sudo dd if=/dev/sda of=/dev/sdb

Nesse caso, estamos fazendo uma cópia binária de todos os dados do /dev/sda para o /dev/sdb. Como pode imaginar, o segundo HD deve ter uma capacidade igual ou maior que o primeiro (a capacidade excedente aparecerá como espaço não particionado), caso contrário você perderá dados e coisas estranhas irão acontecer.

A desvantagem é que a cópia levará várias horas (e o dd não exibirá nenhuma barra de progresso), mas, por outro lado, quem ficará trabalhando será o PC: você pode ir fazer outra coisa e dar apenas uma olhada de vez em quando para ver se a cópia já acabou. Quando a cópia finalmente terminar, o segundo HD conterá uma cópia exata do primeiro e poderá ser usado diretamente no lugar dele.

A vantagem de usar o dd é que ele copiará absolutamente tudo, incluindo a MBR, a tabela de partições, os UUIDs das partições e todos os dados, incluindo até mesmo arquivos deletados que possam ser recuperados usando o Photorec ou outro programa de recuperação. Em outras palavras, o dd é antigo e arcano, mas faz o trabalho.

Se você está em busca de uma alternativa mais moderna, uma boa opção é o Clonezilla (http://clonezilla.org/), um live-CD que inclui diversas ferramentas de cópia e restauração e permite copiar partições ou HDs inteiros de maneira muito prática. Ele possui também uma versão server, que permite fazer as cópias e restaurações através da rede.

Ao fazer a cópia dos arquivos usando outros métodos (usando o comando "cp -a" ou o rsync, por exemplo) você precisará também reinstalar o grub e ajustar os UUIDs das partições do novo HD usando o comando "tune2fs -U", para que eles utilizem os mesmos UUIDs das partições antigas, como em:

# tune2fs -U 989d9fd5-91bc-4994-9af0-02720a46f443 /dev/sdb1

Isso é necessário por que o Ubuntu referencia as partições no arquivo "/etc/fstab" e no "/boot/grub/menu.lst" pelos UUIDs e não pelos devices. Se os UUIDs das partições mudam, o sistema não consegue mais acessá-las.

É por isso que acaba sendo mais fácil fazer a cópia usando o dd ou o Clonezilla, já que eles são capazes de copiar os UUIDs juntamente com os dados.

Teste de memória: O Ubuntu inclui o bom e velho Memtest86, disponível através da opção "Teste de memória" no boot pelo CD. Ele permite localizar defeitos nos módulos de memória, evitando que você perca tempo tentando instalar em um PC com problemas de hardware.

Ele fica num loop eterno, repetindo os testes e indicando os erros que encontrar até que você se sinta satisfeito. A alma do negócio é ter paciência e deixar ele fazer seu trabalho, concluindo os 8 testes.

Recuperando dados e partições: Você pode também usar o live-CD para recuperar dados ou partições apagados acidentalmente, utilizando o Photorec e o Testdisk.

Assim como no caso do Partimage, eles fazem parte do repositório Universe, que precisa ser ativado dentro do "/etc/apt/sources.list" antes que você possa instalá-los via apt-get. No Ubuntu, os dois fazem parte do pacote "testdisk":

$ sudo apt-get update; sudo apt-get install testdisk

Apesar do nome, o Photorec é um software de recuperação de uso geral, que permite recuperar arquivos deletados em HDs ou pendrives, desde que eles ainda não tenham sido sobrescritos por outros. O Testdisk por sua vez permite recuperar partições deletadas, salvando o dia em casos em que o HD perde a tabela de particionamento por defeitos (ou pela ação de vírus ou outros softwares nocivos), ou em casos em que você se embanana no particionamento. Ambos podem ser usados para recuperar tanto arquivos e partições Linux, quanto dados e partições do Windows.

Você pode ler mais sobre o uso dos dois no capítulo 6 do Hardware o Guia Definitivo:
http://www.gdhpress.com.br/hardware/leia/index.php?p=cap6-13

Repositórios no Ubuntu e outras dicas

Postador por Tiago Damasceno

Assim como todas as inúmeras outras distribuições derivadas do Debian, o Ubuntu utiliza o apt como gerenciador de pacotes. Entretanto, para facilitar as coisas, o Ubuntu inclui também um conjunto de gerenciadores gráficos que, de certa forma, permitem juntar o melhor dos dois mundos.

O gerenciamento dos repositórios é feito através do "Sistema > Administração > Canais de Software", que funciona como um configurador para o arquivo "/etc/apt/sources.list", onde são especificados os repositórios que serão usados pelo sistema. Os pacotes oficiais são divididos em 5 repositórios:

main: O repositório principal, que inclui os softwares suportados oficialmente pela equipe do Ubuntu. Este repositório inclui um número relativamente pequeno de pacotes, incluindo os pacotes do Gnome e os outros softwares instalados por padrão, os pacotes de internacionalização e alguns poucos pacotes adicionais. É basicamente o mesmo conteúdo da versão em DVD.

restricted: Este repositório inclui os drivers da nVidia, da ATI e alguns módulos adicionais para o kernel (agrupados no pacote "linux-restricted-modules") que possuem o código fonte fechado, ou possuem restrições com relação à modificação ou distribuição. Agrupá-los em um repositório separado foi a solução encontrada pela equipe do Ubuntu para poder distribuí-los como parte da distribuição.

Estes drivers ao gerenciados de maneira automática pelo gerenciador de drivers restritos ("Sistema > Administração > Drivers de hardware") que se encarrega de detectar os componentes e perguntar se você deseja ativar os drivers correspondentes.

universe: Como o nome sugere, o Universe inclui quase todos os demais pacotes, um conjunto que ultrapassa a marca dos 20 GB de arquivos. Ele é basicamente um snapshot do repositório do Debian instável, que recebe uma rodada de testes e correções antes de ser disponibilizado ao público. A grande diferença em relação aos pacotes do repositório main é que eles não são oficialmente suportados pela equipe de desenvolvimento, são apenas oferecidos como um extra.

multiverse: É uma derivação do Universe, que agrupa softwares distribuídos sob licenças "não livres", que possuam alguma restrição com relação à modificação ou distribuição. Inclui diversos codecs, emuladores, plugins, programas diversos e até mesmo alguns drivers de impressora. Assim como no caso do restricted, o multiverse foi criado para permitir que estes pacotes pudessem ser incluídos na distribuição, sem que "contaminassem" os repositórios principais.

partner: Este é um repositório mantido pela Canonical (sem relação direta com o Ubuntu) para disponibilizar componentes licenciados. Ele inclui o "adobe-flashplugin", que instala o suporte a flash no Firefox e pacotes de documentação para alguns codecs comerciais vendidos no http://shop.canonical.com.

Além das questões filosóficas, a divisão permite que os repositórios sejam seletivamente desativados, como no caso de uma empresa, onde a equipe de TI decidiu utilizar apenas os pacotes do repositório main, juntamente com alguns outros pacotes específicos, para prevenir o aparecimento de problemas.

Em situações normais, você simplesmente mantém todos os repositórios ativados, com a possível exceção dos repositórios com o código fonte, que são úteis apenas para quem está interessado em compilar seus próprios pacotes:

repos_html_58bd00d2

Você pode também escolher entre baixar os pacotes dos servidores principais (o archive.ubuntu.com) ou usar os servidores do Brasil (o br.archive.ubuntu.com) que costumam ser mais rápidos. Por default o instalador utiliza também os pacotes do CD-ROM de instalação, que inclui alguns pacotes extras que não são instalados juntamente com o sistema.

O que o gerenciador faz é simplesmente ativar ou desativar as linhas correspondentes dentro do arquivo "/etc/apt/sources.list" conforme você altera as opções, exatamente o mesmo que você faria ao editar o arquivo manualmente. As linhas referentes aos repositórios principais dentro do arquivo são:

deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid main restricted
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid universe
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid multiverse
deb http://archive.canonical.com/ubuntu intrepid partner

O "intrepid" em cada linha especifica a versão do Ubuntu em uso. Ao atualizar do 8.10 para o 9.04, por exemplo, o "intrepid" em todas as linhas seria substituído por "jaunty". Aqui vai uma lista rápida dos nomes e versões para referência:

warty: 4.10
hoary: 5.04
breezy: 5.10
dapper: 6.06
edgy: 6.10

feisty: 7.04
gutsy: 7.10
hardy: 8.04
intrepid: 8.10
jaunty: 9.04

Cara cada um destes repositórios, está disponível também uma linha iniciada com "deb-src", que corresponde ao repositório com o código-fonte dos pacotes. A opção do repositório "partner" aparece na aba "Programas de Terceiros" do configurador.

Em seguida, temos as opções de atualização do sistema, que são agrupadas na terceira aba. Elas são divididas em 4 grupos:

security: Inclui as atualizações de segurança, que tapam as brechas do sistema, mas não adicionam novas funcionalidades aos programas. As atualizações de segurança são especialmente importantes no Ubuntu, já que o sistema não utiliza nenhum firewall por padrão, dependendo apenas das atualizações dos serviços. Elas são atualizações de baixo risco, que raramente causam problemas.

updates: Inclui todas as novas versões dos programas, o que representa mais de 80% das atualizações disponíveis. Se você está apenas interessado em manter seu sistema estável, baixando apenas as atualizações importantes, você pode desativar este repositório, mantendo apenas o security.

proposed: Contém atualizações em estágio de teste, que não são inteiramente estáveis. É uma espécie de versão "beta" do updates, que permite que você tenha acesso às atualizações em primeira mão, mas sem garantia de estabilidade. Se você não quer dor de cabeça, é melhor mantê-lo desativado.

backports: As versões do Ubuntu são suportadas por um período de 18 meses (nas versões normais), ou 36 meses (no caso das versões LTS), o que corresponde ao lançamento de duas ou cinco novas versões. Os backports são versões portadas de novas versões dos softwares, adaptados para rodarem nas versões antigas.

Eles permitem que você atualize alguns componentes do sistema (obtendo acesso a uma nova versão do Gnome ou do KDE, por exemplo), sem precisar atualizar o sistema inteiro. A principal observação é que os backports recebem apenas uma rodada rápida de testes, o que abre margem para o aparecimento de bugs inesperados. Justamente por isso, você tem a opção de desativá-los no gerenciador:

repos_html_m59b9f3db

Definidos os repositórios, falta a configuração das atualizações automáticas, que são feitas através do Gerenciador de Atualizações ("Sistema > Administração > Gerenciador de atualizações"), a irritante setinha ao lado do relógio. Por padrão, o sistema vem configurado para notificar sobre atualizações do security e do updates diariamente, o que resulta em um volume muito grande de pacotes a baixar e faz com que muitos optem por simplesmente desativarem as atualizações automáticas. Entretanto, você pode reduzir o número de avisos simplesmente desativando o updates (mantendo apenas o security) e especificando um intervalo maior para as atualizações.

Estas opções correspondem às linhas com o "security", "updates" e "backports" dentro do sources.list:

deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-security main restricted
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-security universe
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-security multiverse

deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-updates main restricted
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-updates universe
deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-updates multiverse

deb http://archive.ubuntu.com/ubuntu/ intrepid-backports main restricted universe multiverse

O gerenciador também avisa sobre a disponibilidade de novas versões do sistema, o que é ajustado através da última opção, onde você pode escolher entre receber avisos de todas as novas versões, atualizando a cada 6 meses, ou ser avisado apenas do lançamento de versões LTS, atualizando a cada 18 meses:

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Como em outros sistemas, o upgrade direto de uma versão para outra é sempre um processo passível de problemas. O grande problema é que (por simples falta de mãos de obra suficiente) os upgrades são testados apenas em configurações comuns, onde o sistema é usado sem grandes modificações. Entretanto, na prática é comum que você use um conjunto de pacotes muito diferente do original, com muitos dos programas originais substituídos por outros, somado coma instalação de vários programas adicionais. Isso faz com que o trabalho do atualizador seja muito mais complicado e os resultados mais imprevisíveis, fazendo com que a atualização apresente defeitos diversos ou mesmo falhe completamente em alguns casos específicos.

Outra observação importante é que você nunca deve desligar o sistema no meio do processo de atualização, caso contrário você criará uma situação onde parte dos pacotes estão atualizados e outros não, o que será uma receita para o desastre no próximo boot.

O ideal é que você inicie a atualização no final do dia, deixando que o sistema baixe os pacotes e inicie o processo durante a noite e você possa apenas responder as configurações e terminar o processo na manhã seguinte. Como de praxe, é sempre importante fazer um backup completo do diretório home e de outras pastas do sistema onde guarde arquivos, só por via das dúvidas.

Como quase tudo no sistema, a atualização pode ser feita também manualmente. Você precisa apenas editar o sources.list, substituindo o nome da versão em todas as linhas (de "intrepid" para "jaunty", por exemplo) e em seguida rodar o "apt-get update" seguido do "apt-get dist-upgrade", que é justamente o que é feito pelo atualizador:

$ sudo apt-get update
$ sudo apt-get dist-upgrade

Diferente do "apt-get upgrade", que faz uma atualização seletiva, instalando apenas pacotes cujas atualizações não demandem a instalação de novos pacotes, o dist-upgrade faz uma atualização completa do sistema, atualizando todos os pacotes e instalando todas as novas dependências.

Para reduzir o tempo que você precisará ficar na frente do micro acompanhando o upgrade, você pode fazer com que ele baixe os pacotes na noite anterior, deixando para fazer o upgrade propriamente dito no dia seguinte. Para isso, adicione a opção "-d", como em:

$ sudo apt-get -d dist-upgrade

O "-d" ativa o modo "download only", onde o apt apenas baixa os pacotes e os salva no cache. Isso permite que você execute o comando novamente, sem o "-d", quando quiser fazer a atualização propriamente dita.

Por default, o apt simplesmente usa toda a banda disponível, o que pode ser um problema se você quiser fazer outras coisas enquanto ele baixa os arquivos, ou se compartilha a conexão com outras pessoas. Para limitar a taxa de download, crie o arquivo "/etc/apt/apt.conf.d/98bandlimit", com o seguinte conteúdo:

Acquire {
Queue-mode "access";
http { Dl-Limit "48"; };
};

O "48" na terceira linha especifica a taxa máxima de download que será usada pelo apt, basta substituí-lo pelo valor desejado. Uma boa fórmula é limitar o apt a 50% da banda total oferecida pela conexão, o que faz com que o download continue sendo feito a um limite razoável e o impacto sobre outras atividades seja pequeno.

Outra maneira de limitar a taxa de download do apt é executar o comando através do trickle (que você pode instalar usando o "apt-get install trickle"), como em:

$ sudo trickle -s -d 48 apt-get -d dist-upgrade

Assim como no exemplo anterior, o "48" especifica a taxa máxima de download, em kbytes.

O trickle (http://monkey.org/~marius/pages/?page=trickle), que é um pequeno aplicativo de traffic shapping de linha de comando. Ele controla o acesso à rede por parte do aplicativo, monitorando o tráfego de dados e atrasando as requisições, de maneira a encaixá-lo dentro das taxas especificadas por você. A grande vantagem é que a limitação é aplicada apenas ao aplicativo especificado, sem atrapalhar a conexão de outros programas que esteja usando, nem de outros micros da rede.

O "-s" faz com que ele rode em modo stand-alone, o que é o ideal quando você quer usá-lo para apenas um comando específico, enquanto o "-d" especifica a taxa máxima de download, em kbytes. No caso de aplicativos que fazem upload de arquivos, como no caso do bittorrent, você pode especificar a taxa máxima de upload usando a opção "-u", como em:

$ trickle -s -d 48 -u 16 btdownloadcurses arquivo.torrent

Naturalmente, o uso não está limitado apenas aos aplicativos de linha de comando. Você pode limitar as taxas de download ao baixar arquivos através do Firefox, por exemplo, chamando-o através do trickle, como em:

$ trickle -s -d 48 firefox

Créditos: Carlos Morimoto

Um kokar para o Ubuntu e outras distribuições

Postador por Tiago Damasceno

Se você chegou a usar alguma das versões do Kurumin, deve se lembrar do Kokar, que era um CD com uma cópia off-line dos arquivos usados pelos ícones mágicos. Este é um script que ensina como aplicar o conceito a outras distribuições derivadas do Debian e do Ubuntu.

Ao instalar qualquer pacote, o apt primeiro baixa o arquivo para só depois fazer a instalação. Isso evita problemas causados por problemas na conexão, uma vez que se a conexão cai, ou o processo é interrompido durante o download, a instalação sequer é iniciada. O apt é capaz também de continuar os downloads em caso de interrupção e também de baixar vários pacotes simultaneamente, aproveitando ao máximo a banda da conexão.

Todos os pacotes baixados são salvos na pasta "/var/cache/apt/archives" e continuam lá mesmo depois de instalados.

Complementando, temos a pasta "/var/lib/apt/lists", que armazena as listas de pacotes, que são baixadas ao rodar o "apt-get update".

Sempre que você inicia a instalação de algum pacote, o apt começa verificando o conteúdo da pasta "/var/lib/apt/lists", em busca de informações sobre o pacote solicitado (número da versão atual, nome do arquivo, etc.), verifica se o arquivo já não está disponível na pasta "/var/cache/apt/archives" e, caso não esteja, executa o processo normal de download.

Como deve estar imaginando, é possível fazer backup destas duas pastas de forma a preservar o cache do apt-get depois de reinstalar o sistema, ou mesmo para instalar os pacotes já baixados em outras máquinas, como no caso de alguém que tem banda larga na escola ou no trabalho, mas acessa via modem discado em casa, por exemplo. Basta fazer backup do conteúdo das duas pastas e restaurá-las no outro PC.

Você pode fazer os backups rapidamente usando o tar. Os dois comandos abaixo criam os arquivos "lists.tar" e "archives.tar" no diretório atual:

$ tar -cvf lists.tar /var/lib/apt/lists/
$ tar -cvf archives.tar /var/cache/apt/archives

Você pode notar que não estou usando o parâmetro "z" do tar, que geraria arquivos compactados, pois como o arquivo incluirá pacotes .deb (que já são arquivos compactados), isso só serviria para tornar a criação dos arquivos mais demorada.

Para restaurar os backups na outra máquina, você precisaria apenas executar (dentro do diretório com os dois arquivos) os comandos:

# tar -xvf lists.tar --directory /
# tar -xvf archives.tar --directory /

A opção "--directory /" faz com que os arquivos sejam desempacotados no diretório raiz, fazendo com que os arquivos sejam restaurados nas pastas corretas. Sem isso, eles seriam extraídos dentro do diretório onde o comando foi executado.

Para que os arquivos sejam realmente usados, é importante que as duas máquinas estejam rodando a mesma distribuição (afinal, pacotes do Debian Etch não seriam de muita utilizada no Ubuntu 9.04, por exemplo) e, igualmente importante, devem estar configuradas para utilizarem os mesmos repositórios no arquivo "/etc/apt/sources.list". Uma boa maneira de se certificar disso, é simplesmente incluir o arquivo no backup e restaurá-lo na outra máquina junto com os outros arquivos.

Para facilitar, você pode usar meu script:
http://www.gdhpress.com.br/blog/arquivos/backup-cache-apt.zip

Ele automatiza o processo, permitindo gerar um arquivo ISO, que você pode gravar em CD, ou simplesmente transportar em um pendrive e montar na outra máquina. O arquivo inclui um script de recuperação, que automatiza a restauração. A idéia central é a mesma que era usada no Kurumin, para gerar o CD do Kokar, mas nesse caso aplicada a outras distribuições.

Aqui vai o "código fonte" do script para que você possa estudá-lo:

#!/bin/sh
# Faz backup do backup do apt
# Escrito por Carlos E. Morimoto
echo 'Este script faz backup do conteúdo das pastas /var/cache/apt/archives e
/var/lib/apt/lists/, permitindo salvar o cache do apt-get em um arquivo ISO,
que pode ser gravado em CD e restaurado em outras máquinas.
Este script apenas copia os arquivos, por isso não é necessário executá-lo como
root. Para usá-lo, é necesário ter espaço livre suficiente dentro do seu
diretório home para o equivalente a duas cópias do cache (um para a pasta
temporária e outro para o arquivo ISO).'
echo 'Pressione Enter para gerar o backup'
read pausa
echo "Acessando o home"
cd ~
pwd
sleep 1
echo 'Removendo backups anteriores:
rm -rf apt-cache/
rm -rf apt-cache.iso
'
sleep 1
rm -rf apt-cache/ &>/dev/null
rm -rf apt-cache.iso &>/dev/null
echo 'Criando pasta apt-cache:
mkdir apt-cache
cd apt-cache
'
sleep 1
mkdir apt-cache
cd apt-cache
echo 'Fazendo backup das listas de pacotes:
tar -cvf lists.tar /var/lib/apt/lists/
'
sleep 1
tar -cvf lists.tar /var/lib/apt/lists/ --exclude=lock
echo 'Fazendo backup do cache de pacotes:
tar -cvf archives.tar /var/cache/apt/archives
'
sleep 1
tar -cvf archives.tar /var/cache/apt/archives --exclude=lock
echo 'Fazendo backup do sources.list:
cp /etc/apt/sources.list .
'
sleep 1
cp /etc/apt/sources.list .
echo '#!/bin/sh
# Restaura o cache do apt. Este script deve ser executado como root
# Por Carlos E. Morimoto
if [ "`id -u`" != "0" ]; then
echo "Este script precisa ser executado como root. Digite su - para se logar"
echo "como root e execute o script novamente."
fi
mkdir -p /var/lib/apt/lists
mkdir -p /var/cache/apt/archives
if [ -e "lists.tar" ]; then
echo "Pressione Enter para restaurar os arquivos"
read pausa
tar -xvf lists.tar --directory /
tar -xvf archives.tar --directory /
else
echo "O arquivo lists.tar não foi encontrado. Você esta executando o script"
echo "No mesmo diretorio onde estao os arquivos?"
fi
echo ""
echo "E recomendavel confirmar o conteúdo do arquivo /etc/apt/sources.list,"
echo "que deve ser igual ao arquivo na maquina onde o backup foi feito."
echo "Verifique a cópia do arquivo original, que foi incluida na imagem."
' > restaurar-apt-cache.sh
chmod +x restaurar-apt-cache.sh
echo "Preparando para criar a imagem ISO, seja paciente"
sleep 1
cd ..
mkisofs -pad -l -r -J -v -V "Cache do apt" -o apt-cache.iso apt-cache/
echo "Gerado o arquivo /home/$USER/apt-cache.iso"
echo 'Você pode gravá-lo em CD ou simplesmente copiá-lo em um pendrive ou
outra unidade de armazenamento. Use o script "restaurar-apt-cache.sh"
dentro da imagem para restaurar o cache, como em:
# cd /media/cdrom
# ./restaurar-apt-cache.sh
Ele precisa ser executado como root (ou usando o sudo), para que possa
modificar as pastas do sistema.
Você pode montar o arquivo iso sem precisar queimar o CD usando o comando:
# mount -o loop apt-cache.iso /mnt/cdrom
… como root.'

CRÉDITOS: CARLOS MORIMOTO

Mais dicas de configuração do Gnome no Ubuntu

Postador por Tiago Damasceno

Em vez de utilizar um painel de controle centralizado, como no caso do Mandriva e do OpenSUSE, o Ubuntu simplesmente utiliza um conjunto de utilitários de configuração organizados nos menus "Sistema > Preferências" e "Sistema Administração". A lista combina os utilitários oferecidos pelo Gnome (que também estão disponíveis em outras distribuições) com algumas ferramentas próprias.

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A grande diferença entre as duas seções é que, via de regra, a opções dentro do "Preferências" alteram apenas as suas configurações de usuário, manipulando arquivos de configuração salvos dentro do diretório home, enquanto o "Administração" agrupa as opções que alteram a configuração do sistema e são acessadas através do sudo.

Vamos então a um apanhado geral sobre as outras opções de personalização:

Aparência: Esta é a seção obrigatória, com as configurações visuais do sistema, incluindo a definição do tema, papel de parede e a configuração dos efeitos. Uma boa medida para reduzir o uso de processamento (que resulta em uma melhoria perceptível em máquinas com processadores lentos, como no caso dos Netbooks) é desativar os efeitos visuais. Um bom lugar para baixar papéis de parede e temas adicionais é o http://www.gnome-look.org/

Aplicativos preferenciais: Ao contrário do que o nome sugere, essa opção (pelo menos até o Gnome 2.24) não permite ajustar as associações de arquivos, mas sim apenas definir os aplicativos preferidos para algumas tarefas específicas (Navegador Web, Reprodutor de multimídia, Terminal, etc).

As associações de arquivos são definidas através do Nautilus: clicando com o botão direito sobre um arquivo e acessando o "Propriedades > Abrir com" você tem acesso ao menu de seleção, onde pode definir o aplicativo usado para abrir arquivos com a mesma extensão. Por default, ele mostra apenas os aplicativos que são associados com a extensão de arquivo selecionada, mas você pode especificar outros manualmente:

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Área de trabalho remota: Esta opção abre o Vinagre, que é o aplicativo padrão de acesso remoto nas versões recentes do Gnome, similar à dupla Krfb e Krdc, que é usada no KDE.

Assim como diversos outros aplicativos similares, ele funciona como uma interface de configuração para o bom e velho VNC, que é quem faz o trabalho pesado. Ao ativar o compartilhamento da tela, usuários em outros PCs da rede poderão se conectar ao seu usando qualquer cliente VNC, incluindo, naturalmente, o próprio cliente do Vinagre, disponível no "Aplicativos > Internet > Visualizador de Área de trabalho remota".

Para que as conexões via internet funcionem, é necessário configurar o modem ADSL ou gateway da rede para encaminhar a porta 5900 para o seu PC. Nas configurações, existe também a opção de usar uma porta alternativa e de ativar o uso de encriptação para a conexão (o que ativa o uso de encriptação AES de 256 bits). O problema com o uso de encriptação é que ele é um recurso específico do Vinagre que, por enquanto, não é suportado por outros clientes VNC.

Atalhos de teclado: Assim como a opção de associação de arquivos, esta opção inclui a configuração apenas dos atalhos para funções mais comuns; as demais precisam ser definidas através do gconf-editor.

Bluetooth: Se o seu PC não possui um transmissor Bluetooth, o menu permite apenas escolher entre mostrar ou não o ícone do Bluetooth ao lado do relógio, que (sem o transmissor) não servirá para muita coisa de qualquer forma. Ao plugar ou ativar o transmissor, entretanto, ele passa a exibir uma aba adicional, através da qual você pode parear novos dispositivos ou definir se seu PC ficará em modo visível ou oculto. As opções de enviar e receber arquivos, por sua vez, ficam disponíveis ao clicar com o botão direito sobre o applet ao lado do relógio.

Para quem usa apenas o PC, o Bluetooth acaba sendo um recurso desnecessário, mas ele se torna bastante útil quando combinado com um smartphone, permitindo transferir arquivos e fotos de forma rápida, usar a conexão 3G com a web no PC, fazer backup dos arquivos e contatos e assim por diante, tudo sem precisar conectar o cabo USB.

Controle de volume: Apesar da função dessa opção ser bastante básica, ela esconde alguns truques. Clicando no "Preferências" você pode ativar a exibição de controles adicionais (muitas placas possuem mais de 20 ajustes independentes) e na aba "Chaves" estão disponíveis algumas opções adicionais, como a de ativar ou desativar a saída do fone de ouvido. As opções disponíveis variam de acordo com a placa de som usada e os recursos suportados pelo módulo do Kernel e pelo servidor de som.

Criptografia e chaveiros: O Gnome utiliza o Seahorse para gerenciamento de senhas e chaves de criptografia, permitindo que você salve senhas de acesso, passphrases e outras informações (como as chaves de acesso de redes wireless) em um único chaveiro, protegidas por uma senha mestra. A grande observação é que esta opção se destina apenas a gerenciar chaves PGP (usadas para encriptar e-mails). A configuração do chaveiro do sistema vai no "Aplicativos > Acessórios > Senhas e chaves de criptografia".

Dispositivos PalmOS: Embora os Palms estejam entrando em desuso, substituídos por aparelhos mais atuais e ferramentas de sincronismo de informações e contatos via web, o bom e velho e o hot-sync é ainda suportado no Linux. Essa opção dispara o assistente de configuração do Gnome Pilot, que permite sincronizar a agenda e os e-mails do Palm em relação ao Evolution.

Gerenciamento de energia: Aqui vão as clássicas configurações de energia, incluindo o tempo de desligamento do monitor, comportamento do botão de desligar, ajuste de brilho da tela e outras. Se você usa um notebook, uma boa adição é o applet para ajustar a freqüência do processador (botão direito sobre a barra > Adicionar ao painel > Monitor de graduação de freqüência da CPU), que permite ajustar rapidamente a frequência de operação do processador, limitando-o à frequência mínima quando quiser aumentar a autonomia, por exemplo.

Nas versões recentes, o Ubuntu oferece também um bom suporte ao suspender, que permite colocar o notebook para dormir, preservando os dados da memória RAM, mas desligando todos os demais componentes. O suspender é um recurso importante para quem precisa fazer tarefas rápidas repetidamente ao longo do dia, pois evitar ter que ligá-lo e desligá-lo (esperando os clássicos dois minutos a cada boot) a todo momento. A maioria dos notebooks possuem uma autonomia superior a 36 horas em modo de suspensão.

A principal observação é que todos estes recursos dependem que o suporte a ACPI esteja ativado, o que deixa de fora os PCs e notebooks com placas problemáticas, onde você precisa usar o "acpi=off", ou similar na tela de boot, ou modelos baseados em chipsets que ainda não são bem suportados pelo kernel.

Impressora Padrão: Ao instalar várias impressoras, é importante definir qual será a impressora padrão, uma vez que ela é usada sempre que você usa as opções de impressão rápida, ou não altera a impressora na janela de seleção.

Janelas: Essa opção inclui opções básicas para o comportamento das janelas, incluindo a opção de selecionar janelas automaticamente quando o cursor do mouse passa sobre elas, maximizar ao clicar sobre a barra de títulos e modificar a tecla usada para mover as janelas para fora da área visível.

Menu Principal: Este é um atalho para o editor de menus, que pode ser acessado também clicando com o botão direito sobre o "Aplicativos".

Network Configuration: Um atalho para a configuração manual da rede, que pode ser acessado também clicando com o botão direito sobre o applet do NetworkManager ao lado do relógio.

Proxy da rede: Este é mais um pequeno utilitário, que permite definir o proxy padrão do sistema, que será usado pelo apt-get e pela maioria dos utilitários do sistema, incluindo o atualizador de pacotes. Entretanto, o proxy padrão não é usado pela maioria dos aplicativos (incluindo o Firefox), que possuem opções próprias de configuração do proxy. No Firefox, por exemplo, o proxy é configurado através do "Editar > Preferências > Avançado > Rede > Conexão".

Rato (Mouse): Aqui estão disponíveis as clássicas configurações relacionadas ao comportamento do mouse (também chamado de rato nas terras além mar :), incluindo a aceleração, intervalo do clique duplo e outras. Uma opção adicionada nas versões recentes do Gnome que pode ser útil é a de mostrar a posição do cursor quando a tecla Ctrl é pressionada.

Uma dica para quem usa um mouse externo no notebook e quer evitar toques acidentais no touchpad é desativar a opção "Touchpad > Habilitar cliques do mouse com o touchpad", que desativa os cliques com toques sobre o leitor, mantendo apenas os botões de hardware.

Resolução da tela: Tradicionalmente, alterar a resolução da tela no Linux demandava ajustes manuais no arquivo xorg.conf. Entretanto, isso mudou nas versões recentes do X.org, graças à detecção automática dos modos suportados pelo monitor, combinado com uma nova interface que permite o ajuste da resolução sem precisar de acesso de root, o que levou ao aparecimento de ferramentas como o kcmdisplay (no KDE) e o gnome-display-properties, iniciado através desta opção.

Ele permite ajustar a resolução e a taxa de atualização do monitor e, em chipsets suportados, também girar a imagem, o que permite tirar proveito da opção de uso vertical disponível em muitos monitores. Se você possui uma placa de vídeo com duas saídas de vídeo, pode também ativar e configurar a segunda tela através dele.

A grande limitação do gnome-display-properties é que ele se limita a oferecer as opções detectadas pelo sistema. Se ele não detectou corretamente a resolução do monitor, ou se não conseguiu ativar a saída HDMI ou o segundo monitor, por exemplo, sua única opção é abrir o terminal e voltar ao velho processo de configuração manual e instalação de drivers.

Sessões: A principal função dessa opção é configurar os aplicativos que serão carregados durante a abertura do sistema. No Linux, os serviços e aplicativos carregados durante o boot podem ser divididos em dois grupos: os carregados pelo sistema e os carregados pelo usuário.

Os carregados pelo sistema são quase sempre serviços, referenciados nos arquivos de configuração. Você pode fazer com que comandos sejam executados automaticamente adicionando-os a um dos arquivos de configuração (como o /etc/rc.local) mas em um desktop isso se restringe a tarefas específicas.

Os aplicativos executados como usuário, por sua vez, são carregados juntamente com o Gnome ou o KDE, incluindo aí qualquer aplicativo gráfico, ou que não seja executado como root. São justamente estes que são configurados através do applet. Se você quer adicionar um atalho para que o Synergy seja aberto automaticamente, ou quer desativar o tracker (a ferramenta de indexação de arquivos do Gnome) ou o gerenciador de drivers restritos, aqui é o lugar:

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Na aba de opções, existe também a opção de lembrar os aplicativos em execução ao encerrar a sessão que, assim como o recurso de salvar as abas abertas do Firefox, acaba sendo bastante útil se você liga e desliga o PC com frequência, já que evita que você perca tempo abrindo manualmente os aplicativos que utiliza a cada boot. Existe também a opção de criar uma configuração fixa, onde o sistema passa a carregar o conjunto de aplicativos atualmente em execução.

Som: Além de permitir ajustar os sons do sistema (como seria de se imaginar), essa opção permite definir os dispositivos de som usados, o que é útil na hora de solucionar problemas com o áudio ou em situações em que você tem mais de uma placa de som (como em casos em que você usa uma placa de som USB para as chamadas de VoIP) e quer que a segunda placa seja usada para outras funções.

O suporte a placas de som no Linux é um assunto bem mais complicado do que deveria, devido à variedade de conjuntos de drivers e de servidores de som. Isso faz com que, dentro de cada opção, você tenha um conjunto de opções para cada dispositivo de som, incluindo as opções de usar o OSS, o Alsa ou o PulseAudio, o que acaba lhe obrigando a testar cada uma das opções até encontrar a que funciona melhor.

Um complicador é que ao usar uma das opções do Alsa ou do OSS, muitos aplicativos deixarão de conseguir acessar o som, já que esperam que a placa seja acessada através do PulseAudio.

Teclado: Como era de se esperar, essa opção permite ajustar o layout do teclado (use o "ABNT2 Brasileiro" para os teclados nacionais ou o "PC (Intl) Genérico de 105 teclas" para os com layout americano) e também as opções de acessibilidade (teclas de aderência e outras).

A opção "Disposições > Outras opções" esconde um grande volume de opções com preferências adicionais, que permitem resolver problemas comuns, como mapear o símbolo de Euro ao atalho AltGR+E, desativar o Caps Lock (uma alternativa mais civilizada ao hábito de simplesmente arrancá-lo do teclado :), definir a tecla usada para ativar as teclas de terceiro nível e assim por diante. Se você sofre o com o clássico problema da repetição do teclado parar de funcionar esporadicamente, basta desativar e ativar novamente a opção de repetição das teclas.

Outra dica é que você pode especificar intervalos forçados na digitação (importantes para a prevenção de lesões por esforços repetitivos) na última aba, fazendo com que o sistema bloqueie o desktop durante dois minutos uma vez por hora, por exemplo.

Tecnologias assistivas: Como comentei no início do capítulo, o Ubuntu oferece um bom suporte a acessibilidade. Este menu agrupa as principais opções, permitindo ativar o Orca (o sintetizador que permite o uso do sistema por deficientes visuais) ou o Dasher (que ativa um sistema alternativo de digitação que permite a entrada de texto usando apenas o mouse ou outros dispositivo apontador), além de atalhos para as opções de acessibilidade para o mouse, teclado e para a tela de login.

Creditos: GdH